3 de mai. de 2013

Quando encontram o seu eu.

Acontece assim: quando resolve se abrir, destruir os muros construídos ao longo de um tempo para sua defesa e deixa a pessoa entrar e ver como você é, quem você é, a pessoa te magoa, você sofre tudo de novo e passa por todo o processo de construção de muro novamente. Mas acontece que você é idiota, e deixa isso acontecer sempre que conhece alguém e acha, por algum momento de problema mental que você esta passando na hora, que pode confiar na pessoa. 

Lidar com pessoas é difícil para mim, lidar com pessoas normais é mais difícil ainda. Ninguém pensa em perguntar o porquê uma pessoa faz determinada coisa, toma determinada atitude ou pensa de determinado jeito, para que perguntar, se pode tirar conclusões com somente o que se vê, sem levar em consideração todo um contexto, que em cada caso é um diferente? Muito trabalho, é mais fácil julgar. 

O problema virá de fato um problema quando se leva em conta relacionamentos, as pessoas querem que você derrube seu muro, suas defesas, mas não querem parar para entender o que encontram quando você faz isso. A sociedade quer tornar diferente o que ela mesma criou, porém sem dedicar o tempo e a atenção necessária à cria.

7 de abr. de 2013

Saudade

Aquele momento em que todo o seu passado volta a sua cabeça como uma história qualquer contada em alguns segundos. Não, não estou prestes a morrer, é apenas um momento de saudades. Sentir saudade de tudo o que já aconteceu, as coisas boas principalmente, mas também algumas coisas que se considerava ruim, porém descobriu depois que era boa. 

Saudade de ser pequena e dormir no sofá depois acordar na cama, de brincar descalça na rua, de tirar boas notas sem ter que ao menos pegar no caderno, de crescer aos poucos. Saudade da primeira paixão, do primeiro beijo escondido, do primeiro namoradinho de infância, do próximo e do seguinte, dos sentimentos que traziam, onde cada um era diferente do outro, sensações e aprendizados novos. 

Interessante é observar que cada pessoa que passa deixa uma coisa dela, um trejeito, uma frase, uma mania, e sempre o que fica é a melhor lembrança. Saudade de cada uma, de cada diferença, de cada toque, cada olhar, cada sensação, saudade do que de bom ficou, do que foi aprendido e ensinado, da troca de ideias e opiniões. 

Saudade, contudo, do hoje. Do que me espera a cada dia, no dia seguinte, de não saber o que se esperar do daqui a pouco. Da pessoa que esta longe e é muito desejada, do abraço, do carinho. Saudade também do futuro, do que ainda não foi, e ainda nem ao menos chegou, pois desse sim, tão esperado por vir, a saudade é tudo o que posso sentir.

21 de jan. de 2013

Um minuto

Em um minuto tudo parece desabar, tudo vira de cabeça para baixo, como se houvesse algo deturpando a visão e de repente caísse e começasse a ver tudo da forma que realmente é, ver o que acredita cair por terra, ver a esperança morrer, a frustração chegar, a vontade de morrer tomar conta.

Morrer. Talvez uma opção razoável, uma solução para todos os tipos de problemas, uma solução rápida e fácil. Não, fácil não. Morrer requer coragem, uma coragem absurda, tão grande a ponto de não querer procurar soluções mais fáceis, tão pequena que não permite a força de encarar a vida.

Contudo, encarar a vida é assustador, encarar sonhos despedaçados, suportar um amor mentiroso, se lançar em uma luta eterna onde no fim... bem, o fim será sempre o mesmo: a fria e incontestável solidão da morte. São dois caminhos para um mesmo fim.



4 de nov. de 2012

Breve despertar

Despertou lentamente, levando alguém tempo para perceber as coisas ao seu redor, uma a uma. Sentiu, primeiro, a maciez em seu rosto entre os cabelos revoltos que se espalhavam pela superfície. Sim estava na cama. Abriu os olhos devagar, sentindo a pressão nos olhos de um sono bem dormido, viu tudo branco à principio, a medida que seus olhos foram se adaptando ao dia, a luz foi diminuindo e tomando foco. Então viu a fresta da cortina por onde o sol se esgueirava e vinha lhe dar bom dia. 

Começou a sentir cada parte de seu corpo, as pernas embrulhadas no lençol, os braços jogados ao redor da cabeça, e nas costas um único ponto macio que exercia uma leve pressão contra ela. Uma mão estava ali, olhou para o lado e viu: o corpo que ela conhecia toda a geografia, cada detalhe, pinta e movimento, jazia ao seu lado em um sono profundo que só o cansaço podia proporcionar. Neste momento se lembrou da note anterior. 

Uma confusão de braços e pernas em movimentos constantes, a leve pressão de uma pele encostada na outra, o respirar arfado e cheio de desejo. A troca de gemidos e beijos. Enfim na janela o clarear calmo de mais um nascer do sol. Sorrindo para as imagens em sua cabeça, ela se virou, abraçou aquele ser único, sentindo sua pele e sua respiração suave. Fechou os olhos e se deixou dormir novamente.

22 de set. de 2012

Confusão

O que dizer quando se quer expressar todos os sentimentos ao mesmo tempo, mas as palavras começam a fugir? Vontade de dizer tudo sem falar nada, de dizer tudo o que vem a cabeça, defender todas as ideias que surgem, a medida que vão surgindo. O resultado é um monte de nada, muitas palavras confusas, muitos começos, muito mais meios, mas nenhum fim, nenhuma conclusão, nenhuma lógica no meio de assuntos, pensamentos e sentimentos diversos. 

Quase um momento nostálgico. Parece que todos os sentimentos combinaram de invadir sua mente, seu coração, todos ao mesmo tempo. A sua vontade é da mesma forma dúbia, quer se entregar a cada sentimento que aparece, por mais confuso, contraditório, irrealista e ilógico que pareça. Mas também quer afastar todos eles, pedindo que te deixem em paz, que deem um tempo para sua cabeça respirar. 

O que se quer de verdade? O azul do céu, o esverdeado do mar, o cheiro salgado da maresia sentida na areia da praia, ou o cheiro do verde de um campo virgem. Querer ao mesmo tempo a solidão e a companhia chega a ser confuso até para o ser humano que as deseja. Talvez só levantar e sair correndo, entre ruas, pessoas que vão para o trabalho ou para a escola, cores diversas. Talvez somente continuar deitada e esperar. O que? Queria saber.

8 de ago. de 2012

Paz em plena guerra

Em um cenário de guerra, onde não existe um minuto de silêncio, onde sempre há movimento, gritaria, estardalhaço, onde bombas estouram sem nenhum aviso prévio, tiros são lançados de tempos em tempos em alvos aleatórios. Um lugar no qual o peso do ar é tamanho, o fato de estar ali obriga a também lutar, a tomar partido, no qual a pressão se torna tão grande que o próprio ambiente, por mais que aberto, ameaça explodir em fagulhas a qualquer momento. Neste cenário ele caminha. 

Ele caminha demoradamente para o centro do cenário, passo a passo, e a cada um relembrando um momento da sua história. Talvez pensando que pudesse ter sido melhor, ou talvez pensando que não poderia ter sido melhor. Para em um momento, olha para os lados e observa cada pessoa lutando com todas as suas forças por uma causa que considera justa e verdadeira, mas que na verdade não passa de futilidade e busca de autoafirmação. Ele olha para cima, quem sabe em busca de um sinal de paz, mas só vê tiros e fagulhas voando por sobre sua cabeça. Então ele senta. 

Sentado percebe que a aflição das pessoas não passa de medo, medo de não ter ninguém, de não ser aceito, de não alcançar um objetivo, de não ter parte no resultado do fim da guerra, que elas têm esperança de que a guerra vai acabar, mas têm medo de que não acabe. Mas não percebem que essa guerra na verdade esta no interior de cada um, que é justamente o próprio medo de que não acabe que não deixa acabar. Ele olha novamente ao redor, e o que passa pela sua mente é o cenário é o mesmo sempre, e nós fazemos dele o que queremos. 

Sua visão turvou por um momento, não via mais pessoas, só vultos, correndo de um lado pro outro. Fechou os olhos, e resolveu deitar. Ele sentiu o chão frio, sentiu a vibração dos passos em volta, ainda ouvia os barulhos de guerra, mas agora queria acredita que estava em paz, que estava no seu cenário. Ele abriu os olhos, mas agora não viu os tiros e fagulhas voando por cima de si, agora ele viu o céu azul escuro ao fundo do movimento, pela primeira vez notou o quão bonito era aquela cor, e o movimento que via a frente, via estrelas cadentes, rabos de cometas, via um mundo alheio ao mundo que ouvia e sentia.

30 de jun. de 2012

Misterioso mundo de testosterona

Sabem ser carinhosos, românticos, cavalheiros, sabem impressionar, e como sabem conquistar, quando querem fazem de tudo para conseguir te deixar caidinha e completamente apaixonada, são capazes de dar a volta ao mundo, escalar o Everest, buscar os anéis de saturno, fazer um colar de estrelas, e dizer que fez isso só por você. 

Mas quando se tem a oportunidade de observar esse mesmo cara com outra garota você percebe o quanto ela é idiota e o quanto você foi o mesmo, a mesma história se repete. Alguns chegam a tanta cara de pau e usam exatamente as mesmas palavras, sem tirar nem por. E quando não conseguem mais ninguém, às vezes, vem correndo, com o rabo entre as pernas e carinha de cachorro na chuva, fazer mimos e agrados para te ter de volta. 

Não digo que sinto raiva, na verdade acho até engraçado. Dizer que todos são iguais e por isso não quero saber de mais nenhum, seria uma grande mentira minha. Pode ser difícil conviver com eles, se adaptar a forma de agir deles, agem por impulso e direcionados pela segunda cabeça, mas de uma coisa eu tenho certeza, viver sem eles é insuportável, perturbador e sem graça nenhuma.

25 de jun. de 2012

Trecho de Leitura - O Código Da Vinci

“ Sophie continuava calada, mas Langdon percebeu que ela começava a entender melhor o avô. Ironicamente, Langdon havia explicado a mesma coisa em uma aula ainda aquele semestre. “É surpreendente que nos sintamos divididos com relação ao sexo?”, indagou ele aos alunos. “ Nossa herança milenar e nossa própria fisiologia nos dizem que o sexo é natural – um caminho muito seguro pra gratificação espiritual -, mas, mesmo assim, a religião moderna deprecia o sexo, considerando-o vergonhoso, ensinando-nos temer os nossos desejos sexuais como se fossem inspirações demoníacas.”

Langdon resolveu não escandalizar os alunos acrescentando que mais de uma dúzia de sociedades secretas ao redor do mundo – muitas bastante influentes – ainda praticavam ritos sexuais e mantinham as tradições vivas. O personagem de Tom Cruise no filme De olhos bem fechados descobriu isso do pior jeito possível quando se infiltrou em uma reunião particular de membros de uma elite de Manhattan e ali se viu presenciando o Hieros Gamos. Infelizmente, os produtores do filme distorceram a maior parte dos detalhes, mas o principal estava presente – uma sociedade secreta comungando para comemorar a magia da união sexual.

“Professor Langdon?”, um aluno ergueu a mão no fundo da sala, em tom esperançoso, “ está dizendo que em vez de irmos a igreja deveríamos fazer mais sexo?”

Langdon não pode conter uma risada discreta, nem um pouco disposto a morder aquele isca. Pelo que tinha sobre as festinhas de Harward, aquela rapaziada estava transando até de mais. “ Meus caros”, disse, sabendo que pisava em terreno minado, “ talvez deva lhes sugerir uma coisa. Sem ousar defender o sexo antes do casamento, e sem ser tão ingênuo a ponto de achar que todos vocês aqui são uns anjos de candura, vou lhes dar um pequeno conselho sobre suas vidas sexuais.’

Todos os rapazes se inclinaram para ouvindo com toda a atenção.

“Da próxima vez em que se encontrarem a sós com uma mulher, sondem seu próprio coração e vejam se conseguem pensar no sxo como um ato espiritual e místico. Façam um esforço para encontrarem aquela centelha de divindade que os homens só podem obter através da união com o sagrado feminino.”

As mulheres sorriam, cheias de si, concordando.

Os homens trocaram risadinhas silenciosas e piadinhas sem graça.

Langdon deu um suspiro. Os universitários não passavam de garotos.”


O código Da Vinci – Dan Brown

24 de jun. de 2012

Momento final

- Mas... eu te amo!
- Não, você não me ama, Clarice.

Clarice parou de repente de andar, com os olhos cheios d’água, enquanto o via virar as costas, se afastar, queria fazer algo, mas não via o que, queria correr e segurá-lo bem forte para impedir que fosse embora, mas não conseguia, seu corpo todo havia se paralisado, como se tivesse tomado um choque, “você não me ama”, como assim? Essas palavras caíram como um peso tal em cima dela, que mesmo fazendo muito esforço não conseguia mandar ordens a seus músculos, não conseguia nem sequer pensar.

Ele continuava a se afastar, se aproximar da porta, sem nem olhar para trás, Clarice sabia que se ele chegasse a porta e a fechasse seria tarde de mais, a partir desse momento não teria mais chance nenhuma de tentar qualquer coisa. Mas a sua mente estava presa em um ponto: “é claro que eu o amo, como ele não vê? Ou será que não?” Até ali ela tinha certeza que o amava muito, um amor tamanho que não tinha olhos para mais nada, mas algo a incomodava, começava a pensar que talvez não, talvez ele estivesse certo, talvez ela não o amasse.

Mas, se não o amava tudo o que vivera fora mentira, porém ela sentia, se sentia era real, não era? Ou se enganará? Poderia o coração se enganar, fazer com que achasse que amava, mas na verdade não amava? Mas sentia, então o que sentia? Clarice não sabia mais ao certo. Talvez paixão, fascínio por encontrar alguém tão diferente, alguém que lhe ensinasse tanta coisa nova e lhe fizesse tão bem. Talvez conformismo, sendo isto não o merecia, seria ela muito criança para merecer alguém como ele?

Nesta hora um baque a tirou de seu devaneio, era o baque da porta batendo. Olhou em volta na esperança de vê-lo mais uma vez ali, sentado no sofá, ou tomando café, não estava lá. Clarice sabia, ele se foi, talvez para sempre, talvez voltasse, não sabia. Ele a amava, disso sabia, e agora, só disso que sabia. Também sabia que a porta se fechara, e, por causa de seu devaneio, não o vira sair. Agora só ficou com a imagem da porta, se ele olhou para ela antes de sair ou simplesmente saiu sem olhar para trás, Clarice nunca saberá.

19 de jun. de 2012

Delírios de outono

Por que a vida exige que sejamos fortes? Enfrentar tudo de cabeça erguida para que não caia, para que não demonstre fraqueza. Mas é realmente a vida que exige isso? Talvez a vida simplesmente nos de a oportunidade e viver, ela não impõem regras, não coloca obstáculos, ela não se complica ou se facilita, mas nos deixa escolher como queremos viver. Se ela não exige que sejamos fortes então buscamos tanto este status?

O que significa ser forte? Ter coragem? Não chorar? Se superar? Seguir em frente mesmo quando parece impossível? Querer ser mais do que é? Vencer barreiras? Ser forte para mostrar para a sociedade que você esta ali, continua lutando, mostrar que você é diferente das outras pessoas porque é forte, porque persistiu. Então é a sociedade quem determina que temos que ser forte, e não a vida.

Mas qual o problema de ser fraco? O que tem de mais chorar quando não se aguenta mais a pressão dentro de sua cabeça? Qual o problema de mudar de opinião de vez em quando? Nosso corpo é fraco, nosso alimento é fraco, o mundo em que vivemos é fraco e sensível a pequenas alterações de ambiente. Então porque a nossa mente tem que ser forte? E por que a fraqueza é tida como algo ruim e pejorativo?

Talvez a sociedade tenha mudado os conceitos, o que significa ser fraco talvez seja ser forte, e vice-versa. Talvez esses conceitos, simplesmente, não deveriam existir. Pois só existem porque nossa percepção de mundo é dual, composta de opostos. Isto causa a criação dos conceitos bom e ruim, e o fato de colocarmos estes conceitos como adjetivo de coisas especificas. Prefiro pensar que só existem maneiras diferentes de reagir, e não o modo fraco e o forte, o bom e o ruim.


“O problema não é problema, o problema é a atitude com relação ao problema.” Kelly Young.

17 de jun. de 2012

Fim e recomeço


Fim de história, coisa que acontece o tempo todo na vida, estamos sempre em um constante recomeço e entrelaçar de histórias, sempre começando algumas e terminando outras. É difícil quando o fim de uma não é tão agradável, ou não é esperado por nenhum dos lados, um termino por pura e espontânea pressão, ou como gostam de falar por aí, motivos de força maior. 

Mas a vida é uma coisa muito interessante, irônica e cruel ao mesmo tempo, o fim de uma coisa é, ao mesmo tempo, o inicio de outra, o fim de uma fase acompanhado é o inicio de uma fase sozinho, o fim do colegial é o inicio da faculdade, o fim de um texto é o inicio de outro. “O começo e o fim, na circunferência de um circulo, são iguais.” Já dizia Heráclito. Mas o que é vida se não um conjunto de ciclos, intermináveis ciclos. 

E nessa brincadeira de começo e fim, fim e meio, meio e começo, fim e recomeço, o que me resta, o que continua comigo sempre aqui sendo minha fuga e minha inspiração, dos grandes amigos, as palavras, que com elas leio, escrevo, crio, deliro e viajo. E a musica, ah, a musica, coisa maior não existe, tem alma, te compreende e está sempre ao nosso redor, até mesmo no silêncio, só precisamos parar para ouvi-la. 

Amigos, esses, que posso sempre contar, são fieis, já a vida me põe medo, as pessoas põem medo, sim, tenho medo delas. Mas aprendo, a conviver, a reviver, a escolher, a pensar, a persistir, a buscar, a viver. E se me perguntarem se me arrependo direi: não, não me arrependo, pois eu escolhi, e com essa escolha aprendo, cresço, evoluo. E se foi tempo perdido? Também não, o tempo que voe gosta de perder não é tempo perdido. 

Estou pronta para a próxima, para a próxima queda, o próximo começo, o próximo fim, a próxima escolha, a próxima encruzilhada. Posso errar ou acertar, posso não saber o que fazer, mas quer saber? A vida é minha e somente minha, e quero vive-la, cada momento seja lá o que ele signifique, pois só assim viverei de verdade, sem medo de chorar, da tristeza, do próximo passo, sem medo de ser feliz. Estou pronta para a vida.

13 de jun. de 2012

Trecho de leitura - Ponto de Impacto

“ As mão ensangüentadas de Corky seguravam o volante da lancha Crestliner Phanton 2100 enquanto ela saltava velozmente pelo mar. Ele tinha empurrado o acelerador até o limite, tentando atingir a maior velocidade possível. Só depois de deixar o Goya sentiu uma dor lancinante nas perna direita. Olhou para baixo e ficou tonto ao ver sangue jorrando da ferida. 

Apoiando-se no volante, virou para trás, torcendo para que o helicóptero estivesse no seu encalço. Como Tolland e Rachel haviam ficado na passarela não havia sentido esperá-los. Teve que tomar uma decisão instantânea. 

Dividir para conquistar. 

Corky calculou que, se conseguisse fazer com que o helicóptero até bem longe do navio, talvez os amigos pudessem usar o radio para pedir socorro. Infelizmente, olhando para o navio iluminado atrás dele, viu que o Kiowa ainda estava parado sobre o Goya, como se os atacantes estivessem indecisos. 

Andem, seus filhos da mãe! Venham atrás de mim! 

Mas o helicóptero não seguiu. Em vez disso manobrou até a popa do navio, alinhou-se com ele e desceu sobre o convés. Não! Corly olhava, aterrorizado, pensando que deixara Tolland e Rachel para trás indefesos. 

Seria ele, então, quem teria que enviar a mensagem de rádio pedindo ajuda. Tateou pelo painel e achou o rádio. Apertou o botão de ligar. Nada aconteceu. Nenhuma luz se acendeu. Não havia sequer estática. Virou o volume até o Maximo. Nada. Droga! Largou o volume e se ajoelhou, gritando ao sentir uma fisgada na perna. Olhou para o rádio, mas não podia acreditar no que via. O painel de controle tinha sido atingido pelas balas e estava destruído. Havia fios saindo pela frente. Corky ficou sem ação. 

Mas que azar desgraçado... 

Tremendo, levantou-se novamente, pensando no que mais poderia dar errado. A resposta veio do Goya. Olhou para o barco e viu dois soldados armados descerem para o barco. Depois a aeronave decolou novamente, vindo na direção da lancha a toda velocidade. 

O astrofísico ficou arrasado. Dividir para conquistar. Aparentemente não tinha sido o único que tivera aquela ideia brilhante.” 


Ponto de Impacto – Dan Brown

8 de jun. de 2012

Na brisa do amor

Areia clara, passando aos pés descalços uma sensação de maciez, as ondas lambendo a areia quente e provando junto o gosto dos pés que ali passam, provocando sensações opostas, quente e frio. O vento suave passando pelo rosto, espalhando o perfume dos cabelos e balançando-os. O céu, um tom de vermelho meio alaranjado, colocando o sol na cama e dando o beijo de boa noite. Na mão, apertando a mão da pessoa amada, sentindo seu corpo todo por ela, percebendo cada sensação provocada. 

Cada grão de areia em contato com pele, emoção de um beijo. Parece delírio, mas impossível evitar entusiasmo ao estar junto ao amor. Caminhada vai ficando densa, passadas fortes e vibrantes como as batidas do coração, mas o sentimento continua suave, como a brisa do mar. Risos soltos, piadas ao vento, aponta um pássaro no céu, comenta a beleza da quase noite. Um beijo suave impera na grandeza do momento. Beijos repetidos acompanhando os do mar na areia. 

Para o resto da noite? Deixa no ar. Talvez dali cada um siga seu caminho, talvez sigam juntos até a noite acabar. Não importa, só importa o momento, ali estão felizes, e enquanto estão felizes o momento é eterno. A mesma eternidade que o céu parece ter na noite mais linda em que lua não se esconde. O fim ninguém sabe, e para que saber? Basta viver o momento, e neste conta o eterno beijo.



6 de jun. de 2012

Viagem insólita

Dar-se conta de que as coisas mudam, independente do seu querer, para melhor, para pior, existe um equilíbrio entre os dois opostos, talvez um balanceamento de 1 pra 1, ou 1 pra 2, só para manter a reação estável, só para não dizer que foi fácil. Facilidade, uma expressão tão buscada, mas tão difícil de ser encontrada tanto quanto a felicidade, por acaso ou não, são tão parecidas também. Dizem que o que ao que é fácil não se dá o devido valor, mas ao que é difícil se associa o cansaço, o desanimo. 

Contudo, não adianta tentar entender, mudar, ignorar, a vida é assim, coisas acontecem o tempo todo, coisas mudam, outras continuam a mesma coisa, pessoas chegam e trazem alegria, outras se vão deixam saudade, algumas continuam em nossas vidas, talvez até o momento que não possam mais continuar, talvez até que o vento mude de direção, talvez até o fim da vida. A verdade é que não dá para saber quem é passageiro de longa ou curta viagem, somente estão ali, na sua vida, e como o ponto de vista nesta viagem é seu é você o motorista, é você quem diz por onde a condução irá passar, de acordo com essa decisão os passageiros seguem as suas viagens saindo e entrando. 

Não sei se existe alguma forma de mudar o caminho das pessoas que cruzam o seu, não sei se é algo que seja fácil de fazer, provavelmente não, nada que valia a pena é fácil, mas em minha pouca vida vivida já consegui me perder nos conceitos, contextos, fatos, ações e pensamentos, não consigo saber se é possível a existência de uma pessoa que fique em sua vida, ou se simplesmente elas só ficarão enquanto os caminhos forem os mesmos e depois irão ser apenas boas lembranças. 

Se precisamos organizar as coisa por importância eu não conheço a escala ou tabela que indica a regra, se existe algo na vida que tenha mais ou menos importância eu simplesmente não quero saber qual tem mais ou qual tem menos, prefiro acreditar que tudo tem a sua importância, tanto a felicidade quanto a tristeza, tanto o estudo quanto a diversão, tanto o amor quanto o dinheiro, o que define o valor de cada coisa é o que você acredita que te trará felicidade.

3 de jun. de 2012

Trecho de Leitura - Vinte mil léguas submarinas

“- Acredita na existência de polvos gigantescos, senhor? – estranhou Ned. 
- Muita gente já acreditou nisso. 
- Mas não pescadores como eu! 
- Um certo Olãus Magnus chegou a falar de um polvo do comprimento de uma milha, que se assemelhava mais a uma ilha do que a um animal! 
- É exagero. – garantiu o canadense. 
- Para mim é tudo fruto da imaginação. Existem polvos e calamares de grandes tamanhos, e lulas também. Mas nenhum do tamanho de uma baleia. Em alguns museus há polvos que ultrapassam os dois metros. 
- Ainda são pescados nos dias de hoje? – perguntou Ned Land. 
- Pelo menos os marinheiros afirmam vê-los. Mas ocorreu um fato espantoso que não permite negar completamente a existência desses animais. 
- Qual é? – perguntou Ned Land. 
- Em 1861, a nordeste da ilha de Tenerife, a tripulação de um navio avistou um calamar gigantesco. Atiraram os arpões. Sem resultado. Os arpões atravessavam suas carnes moles! O monstro desapareceu no mar. 
- Qual era seu tamanho? – perguntou Ned Land. 
- Não teria seis metros? – interrompeu Conseil. 
- Exatamente. – respondi. 
- A cabeça não possuía oito tentáculos que se agitavam na água como serpentes? 
- Absolutamente correto! 
- Os olhos colocados no alto da cabeça não eram enormes? 
- Sim, Conseil! 
- A boca não possuía um bico terrível? 
- Realmente! 
- Neste caso, aqui está um de seus irmãos! 
Arregalei os olhos, surpreso.” 


Vinte mil léguas submarinas – Julio Verme

28 de mai. de 2012

O amor pela causa

Alguns dizem que a paz no mundo pode ser alcançada com o amor, o amor ao próximo. Mas como se o amor não é simples? O amor é complicado. E muitos não sabem amar, não sabem nem se quer o real significado da palavra amor. Talvez seja o inverso, talvez não seja o ódio que cause as guerras, mas talvez seja o próprio amor, um amor descomunal, exagerado, tão grande que não cabe nas palavras e tem que passar as atitudes, e assim como uma droga se torna uma obseção. 

Ora, o que é o nacionalismo, o patriotismo, se não um amor obsessivo pelo seu país? Uma visão exagerada e fora de foco que o nosso é sempre o melhor, o mais correto, o mais belo. Uma visão de que a nossa a sociedade, a nossa cultura é a mais avançada, que o progresso é um avanço linear e que o nosso país esta na ponta da direita desta linha. Talvez a concepção de certo e errado seja somente uma questão de opinião, de ponto de vista, ou menos, talvez seja apenas o olhar tradicional de uma cultura que tem ela mesma como centro de foco. 

Talvez a solução não seja mais amor, mas sim mais compreensão, mais capacidade de obter outro ponto de vista, capacidade de se colocar no lugar do outro. Não precisa ama-lo, muito menos odia-lo, não é necessário gostar ou concordar com sua perspectiva, mas apenas compreende-la, e entender o porquê daquilo, o motivo pelo qual determinada coisa é feita e entendida como certa, ou errada. 

Não é preciso mais amor, talvez se houver mais amor haverá mais guerra. É preciso mais sabedoria. Talvez uma quebra com conceitos tradicionais, talvez um desapego do sentimento de querer estar sempre certo e não poder mudar de opinião, talvez um tratamento de choque para o medo de mudança. Dizer que o amor ao próximo ao próximo é o remédio para todos os males? Sejamos sinceros, quem aqui morreria pelo “próximo”? Mas uma boa pergunta é: quem ainda é capaz de morrer pela pátria? Ou no Brasil, pelo seu time de futebol. 


“Como é sabido, agente só se bate por uma causa na qual se tem confiança e pela qual se tem amor.” Adolf Hitler.

26 de mai. de 2012

Delírios do coração


Parece um sonho, não da para acreditar que é real, você é tudo o que sonhei, imaginei, criei, e melhor, veio com extras, coisas que não pedi e vieram juntas no pacote só para me deixar mais feliz. Parece que te criei ontem, montei parte por parte, característica por característica, do jeito que eu quis, melhor não poderia ficar. Depois pedi a Afrodite que soprasse vida a um coração feito especialmente para mim. 

Por mais que te conheça há pouco tempo, sei pouco sobre você, mas sei mais poderia saber só neste pouco tempo, parece que te conheço a muito tempo, talvez por encanto, mágica, uma força que não deixa sentir falta de lembranças, simplesmente substitui por planos, imaginação, por mais que seja um futuro incerto, uma tela um branco que pode ser pintada e repintada quantas vezes quiser. 


Para quem aprendeu a não esperar um “príncipe encantado”, a não esperar por um homem que seja tudo o que sempre quis, simplesmente porque pessoas são imperfeitas e alma gêmea é coisa de conto de fadas, encontrar alguém assim é, ou muita sorte, ou muito azar. Difícil acreditar de cara, difícil não desconfiar que tem alguma coisa errada, ou certa de mais, mas mesmo assim você me conquistou, venceu meus escudos e me deixou assim: com medo do futuro, com medo de um futuro que eu não consigo prever.

21 de mai. de 2012

Começo de uma história

E quando eu sossego, quando eu resolvo que não quero mais problemas, não quero mais preocupação, nem outro foco para minha atenção, ai sim, surge alguém que me tira do sério, surge aquela pessoa que consegue juntar todas as qualidades e características que você sempre imaginou, sonhou, e ainda consegue ser melhor que o melhor se seus sonhos. 

No inicio você desconfia, acha que é mais um caçador a procura de uma presa fácil, mas de alguma forma você sente algo diferente, resolve dar uma chance, mas tenta, com todas as forças, não se apaixonar, consegue seguir os planos, porém percebe que, aos poucos, é ele quem domina seus pensamentos, o jeito dele te agrada, estar com ele te faz bem. Então percebe, não conseguiu, está apaixonada. 
Resolve, então, se entregar, ver o que acontece, ser você mesma. O final da história? Desconheço, e por algum motivo não quero conhecer, quero simplesmente deixar o tempo caminhar, os sentimentos fluírem e me levarem para onde quiserem. Vou me arrepender? Não, pois do pior que possa acontecer vou aprender mais alguma coisa, mas se for para me arrepender, prefiro que seja pelo que fiz e nunca pelo que deixei de fazer.

28 de abr. de 2012

Trecho de leitura - O Guarani

“ - Por que me chamas tu Ceci?
O índio sorriu tristemente. 
- Não sabes dizer Cecília? 
Peri pronunciou claramente o nome da moça com todas as silabas; isso era tanto mais admirável quanto a sua língua não conhecia quatro letras, das quais uma era o L. 
- Mas então, disse a menina com alguma curiosidade, se tusabes o meu nome, por que não dizes sempre? 
- Porque Ceci é o nome que Peri tem dentro da alma. 
- Ah! É um nome da tua língua? 
- Sim. 
- O que quer dizer? 
- O que Peri sente. 
- Mas em português? 
- Senhora não deve saber. 
A menina bateu com a ponta do pé no chão e fez um gesto de impaciência. 
D. Antônio passou; Cecília correu ao seu encontro. 
- Meu pai, dizei-me o que significa Ceci nessa língua selvagem que falais. 
- Ceci!... disse o fidalgo procurando lembrar-se. Sim! É um verbo que significa doer, magoar. 
A menina sentiu um remorso; reconheceu sua ingratidão; e lembrando-se do que devia ao selvagem e da maneira por que o tratava, achou-se má, egoísta e cruel. 
- Que doce palavra! Disse ela a seu pai, parece; um canto de pássaro. 
Desde este dia foi boa para Peri; pouco a pouco perdeu o susto; começou a compreender essa alma inculta; viu nele um escravo, depois um amigo fiel e dedica. 
- “Chama-me Ceci, dizia às vezes ao índio sorrindo-se; esse doce nome me lembrará que fui má para ti; e me ensinará a ser boa.” 


O Guarani – José de Alencar

14 de abr. de 2012

Simples devaneio

O que me leva a escrever? Uma pergunta me feita uma vez, em muitas ocasiões, cada resposta era uma resposta diferente, um motivo diferente, mas não é por isso que todas as respostas são falsas, mas também não é por isso que todas as respostas são verdadeiras. Talvez só me tenham feito à pergunta errada. Qual seria a certa? Não tenho certeza. Mas talvez: você o porquê que você escreve? Resposta: não faço a menor ideia. Sim, é possível não fazer ideia do porque se escreve, sobre o que escreve, simplesmente se escreve. 

Tenho hipóteses que podem responder essa pergunta, algumas respondem bem, outras deixam explicações vagas. Hipóteses que podem se tornar teorias pelo simples fato de serem baseadas em argumentos bem fundamentados, mas não quer dizer que seja verdade. Escrevo porque me sinto bem escrever, porque saio de mim e vejo o mundo de outra maneira, porque gosto de ver as letras organizadas em palavras e as mesmas formando frases coerentes e com sentido completo. Coerente? Talvez nem tanto, talvez puros devaneios de uma mente cansada de procurar respostas para as perguntas que não se fazem. 

E já que as minhas frases talvez não tenham coerência por que o texto precisa ter? Um texto feito por junções de frases desconectas (como este) pode ter a capacidade da coerência? Ou ao menos necessita tê-la? A coerência é mero requisito para uma escrita formal, este texto não tem a pretensão de ser formal, nem ao menos informal, só tem a pretensão de ser um texto. Não o julgo capaz nem de ser dotado de sentido. Se não PE um texto formal não tem a necessidade te ter um começo, um meio e um fim, sendo assim talvez caiba a mim, simplesmente, acaba-lo abruptamente.