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25 de jun. de 2012

Trecho de Leitura - O Código Da Vinci

“ Sophie continuava calada, mas Langdon percebeu que ela começava a entender melhor o avô. Ironicamente, Langdon havia explicado a mesma coisa em uma aula ainda aquele semestre. “É surpreendente que nos sintamos divididos com relação ao sexo?”, indagou ele aos alunos. “ Nossa herança milenar e nossa própria fisiologia nos dizem que o sexo é natural – um caminho muito seguro pra gratificação espiritual -, mas, mesmo assim, a religião moderna deprecia o sexo, considerando-o vergonhoso, ensinando-nos temer os nossos desejos sexuais como se fossem inspirações demoníacas.”

Langdon resolveu não escandalizar os alunos acrescentando que mais de uma dúzia de sociedades secretas ao redor do mundo – muitas bastante influentes – ainda praticavam ritos sexuais e mantinham as tradições vivas. O personagem de Tom Cruise no filme De olhos bem fechados descobriu isso do pior jeito possível quando se infiltrou em uma reunião particular de membros de uma elite de Manhattan e ali se viu presenciando o Hieros Gamos. Infelizmente, os produtores do filme distorceram a maior parte dos detalhes, mas o principal estava presente – uma sociedade secreta comungando para comemorar a magia da união sexual.

“Professor Langdon?”, um aluno ergueu a mão no fundo da sala, em tom esperançoso, “ está dizendo que em vez de irmos a igreja deveríamos fazer mais sexo?”

Langdon não pode conter uma risada discreta, nem um pouco disposto a morder aquele isca. Pelo que tinha sobre as festinhas de Harward, aquela rapaziada estava transando até de mais. “ Meus caros”, disse, sabendo que pisava em terreno minado, “ talvez deva lhes sugerir uma coisa. Sem ousar defender o sexo antes do casamento, e sem ser tão ingênuo a ponto de achar que todos vocês aqui são uns anjos de candura, vou lhes dar um pequeno conselho sobre suas vidas sexuais.’

Todos os rapazes se inclinaram para ouvindo com toda a atenção.

“Da próxima vez em que se encontrarem a sós com uma mulher, sondem seu próprio coração e vejam se conseguem pensar no sxo como um ato espiritual e místico. Façam um esforço para encontrarem aquela centelha de divindade que os homens só podem obter através da união com o sagrado feminino.”

As mulheres sorriam, cheias de si, concordando.

Os homens trocaram risadinhas silenciosas e piadinhas sem graça.

Langdon deu um suspiro. Os universitários não passavam de garotos.”


O código Da Vinci – Dan Brown

13 de jun. de 2012

Trecho de leitura - Ponto de Impacto

“ As mão ensangüentadas de Corky seguravam o volante da lancha Crestliner Phanton 2100 enquanto ela saltava velozmente pelo mar. Ele tinha empurrado o acelerador até o limite, tentando atingir a maior velocidade possível. Só depois de deixar o Goya sentiu uma dor lancinante nas perna direita. Olhou para baixo e ficou tonto ao ver sangue jorrando da ferida. 

Apoiando-se no volante, virou para trás, torcendo para que o helicóptero estivesse no seu encalço. Como Tolland e Rachel haviam ficado na passarela não havia sentido esperá-los. Teve que tomar uma decisão instantânea. 

Dividir para conquistar. 

Corky calculou que, se conseguisse fazer com que o helicóptero até bem longe do navio, talvez os amigos pudessem usar o radio para pedir socorro. Infelizmente, olhando para o navio iluminado atrás dele, viu que o Kiowa ainda estava parado sobre o Goya, como se os atacantes estivessem indecisos. 

Andem, seus filhos da mãe! Venham atrás de mim! 

Mas o helicóptero não seguiu. Em vez disso manobrou até a popa do navio, alinhou-se com ele e desceu sobre o convés. Não! Corly olhava, aterrorizado, pensando que deixara Tolland e Rachel para trás indefesos. 

Seria ele, então, quem teria que enviar a mensagem de rádio pedindo ajuda. Tateou pelo painel e achou o rádio. Apertou o botão de ligar. Nada aconteceu. Nenhuma luz se acendeu. Não havia sequer estática. Virou o volume até o Maximo. Nada. Droga! Largou o volume e se ajoelhou, gritando ao sentir uma fisgada na perna. Olhou para o rádio, mas não podia acreditar no que via. O painel de controle tinha sido atingido pelas balas e estava destruído. Havia fios saindo pela frente. Corky ficou sem ação. 

Mas que azar desgraçado... 

Tremendo, levantou-se novamente, pensando no que mais poderia dar errado. A resposta veio do Goya. Olhou para o barco e viu dois soldados armados descerem para o barco. Depois a aeronave decolou novamente, vindo na direção da lancha a toda velocidade. 

O astrofísico ficou arrasado. Dividir para conquistar. Aparentemente não tinha sido o único que tivera aquela ideia brilhante.” 


Ponto de Impacto – Dan Brown

3 de jun. de 2012

Trecho de Leitura - Vinte mil léguas submarinas

“- Acredita na existência de polvos gigantescos, senhor? – estranhou Ned. 
- Muita gente já acreditou nisso. 
- Mas não pescadores como eu! 
- Um certo Olãus Magnus chegou a falar de um polvo do comprimento de uma milha, que se assemelhava mais a uma ilha do que a um animal! 
- É exagero. – garantiu o canadense. 
- Para mim é tudo fruto da imaginação. Existem polvos e calamares de grandes tamanhos, e lulas também. Mas nenhum do tamanho de uma baleia. Em alguns museus há polvos que ultrapassam os dois metros. 
- Ainda são pescados nos dias de hoje? – perguntou Ned Land. 
- Pelo menos os marinheiros afirmam vê-los. Mas ocorreu um fato espantoso que não permite negar completamente a existência desses animais. 
- Qual é? – perguntou Ned Land. 
- Em 1861, a nordeste da ilha de Tenerife, a tripulação de um navio avistou um calamar gigantesco. Atiraram os arpões. Sem resultado. Os arpões atravessavam suas carnes moles! O monstro desapareceu no mar. 
- Qual era seu tamanho? – perguntou Ned Land. 
- Não teria seis metros? – interrompeu Conseil. 
- Exatamente. – respondi. 
- A cabeça não possuía oito tentáculos que se agitavam na água como serpentes? 
- Absolutamente correto! 
- Os olhos colocados no alto da cabeça não eram enormes? 
- Sim, Conseil! 
- A boca não possuía um bico terrível? 
- Realmente! 
- Neste caso, aqui está um de seus irmãos! 
Arregalei os olhos, surpreso.” 


Vinte mil léguas submarinas – Julio Verme

28 de abr. de 2012

Trecho de leitura - O Guarani

“ - Por que me chamas tu Ceci?
O índio sorriu tristemente. 
- Não sabes dizer Cecília? 
Peri pronunciou claramente o nome da moça com todas as silabas; isso era tanto mais admirável quanto a sua língua não conhecia quatro letras, das quais uma era o L. 
- Mas então, disse a menina com alguma curiosidade, se tusabes o meu nome, por que não dizes sempre? 
- Porque Ceci é o nome que Peri tem dentro da alma. 
- Ah! É um nome da tua língua? 
- Sim. 
- O que quer dizer? 
- O que Peri sente. 
- Mas em português? 
- Senhora não deve saber. 
A menina bateu com a ponta do pé no chão e fez um gesto de impaciência. 
D. Antônio passou; Cecília correu ao seu encontro. 
- Meu pai, dizei-me o que significa Ceci nessa língua selvagem que falais. 
- Ceci!... disse o fidalgo procurando lembrar-se. Sim! É um verbo que significa doer, magoar. 
A menina sentiu um remorso; reconheceu sua ingratidão; e lembrando-se do que devia ao selvagem e da maneira por que o tratava, achou-se má, egoísta e cruel. 
- Que doce palavra! Disse ela a seu pai, parece; um canto de pássaro. 
Desde este dia foi boa para Peri; pouco a pouco perdeu o susto; começou a compreender essa alma inculta; viu nele um escravo, depois um amigo fiel e dedica. 
- “Chama-me Ceci, dizia às vezes ao índio sorrindo-se; esse doce nome me lembrará que fui má para ti; e me ensinará a ser boa.” 


O Guarani – José de Alencar

21 de mar. de 2012

Trecho de leitura - Fortaleza Digital

“ Uma noite durante a apresentação do Quebra-nozes na universidade, Susan escreveu para Becker sua primeira mensagem encriptada, usando um código básico. Ele ficou sentado durante todo intervalo refletindo sobre mensagem de 20 letras: 

                  ENH ANL SDQ SD BNMGDBHCN 

Finalmente, pouco antes das luzes se apagarem para a segunda parte, ele compreendeu. Para codificar a mensagem, Susan havia simplesmente substituído cada letra do texto pela letra anterior do alfabeto. Para decifrar o código, tudo que Becker tinha que fazer era trocar cada uma das letras pela seguinte. A virava B, B virava C, e assim por diante. Ele rapidamente fez isso com as outras letras. Nunca imaginou que cinco breves palavras pudessem deixá-lo tão feliz: 

                   FOI BOM TER TE CONHECIDO 

Ele rabiscou rapidamente sua resposta e deu o papel para Susan: 

                         SZLADL ZBGDH 

Susan leu e corou.” 



Fortaleza Digital – Dan Brown

24 de fev. de 2012

Trecho de Leitura - A farsa

“ - Já revisou o avião inteiro? – perguntou Marti, de braços cruzados ao lado do piloto. 
- De alto a baixo. Fora o Sr. Palumbo, não tem mais nenhum passageiro a bordo. 
- Impossível. – Marti lançou um olhar acusador para Von Daniken. – Temos provas de que o prisioneiro está a bordo. 
- E que provas são essas? - Perguntou Palumbo. 
- Não faça joguinhos comigo – disse Marti, - sabemos quem o senhor é e para quem trabalha. 
- Sabem mesmo? Então eu acho que posso contar para os senhores. 
- Contar o que? – perguntou Marti. 
- O cara que vocês estão procurando... jogamos ele do avião meia hora atrás, naquelas suas imensas montanhas. Ele disse que sempre tinha sonhado em ver os Alpes. 
Os olhos de Marti se arregalaram. 
- Não... 
- Quem sabe foi isso que travou a turbina. Ou isso ou um ganso. – Palumbo olhou pela janela, balançando a cabeça, divertindo-se. 
Von Daniken puxou Marti de lado. 
- Parece que as nossas informações estavam equivocadas, Herr Justizmimister. Não há nenhum prisioneiro à bordo. 
Marti devolveu seu olhar, lívido de raiva. Uma corrente elétrica varou seu corpo fazendo estremecer os ombros. Com um meneio de cabeça para o passageiro, ele desceu do avião. 

Um único soldado de choque continuava na porta, Von Daniken acenou que descesse. Esperou o soldado desaparecer escada a baixo para tornar a virar para Palumbo. 
- Tenho certeza de que nossos mecânicos vão conseguir concertar sua turbina o quanto antes. Caso o tempo continue ruim e o aeroporto fique fechado, o senhor poderá se hospedar no Hotel Rossli, um pouco mais abaixo nessa mesma rua, e bastante confortável. Queira aceitar as nossas desculpas por qualquer incomodo. 
- Desculpas aceitas. – disse Palumbo. 
- Ah, a propósito – disse Von Daniken, - Eu por acaso encontrei isto aqui no chão. – Chegou mais perto, deixou cair o objeto pequeno e duro na palma da mão do agente da CIA. – Confio no senhor para nos transmitir qualquer informação relevante. 
Palumbo esperou Von Daniken descer da aeronave antes de abrir a mão. 
Em sua palma havia uma unha arrancada e ensaguentada.” 


A Farsa – Christopher Reich

8 de fev. de 2012

Trecho de leitura - Kaori

“ Foi olhando nos falsos olhas azuis de Felipe que Kaori começou a perceber as sensações que estavam se infiltrando no seu corpo. Sensações inesperadas, que a deixaram por um momento sem ação. 
- O que... está fazendo? – ela murmurou, dando um passo para trás. 
Ele não respondeu. Apenas continuou a olhá-la. 
- Pare... – ela pediu, os joelhos amolecendo, fazendo com que caísse sobre ele. – Pare com isso! 
Felipe vibrava. Era bom vê-la de joelhos. Humilhada. Vencida. Assistiu com satisfação kaori cair devagar, as mãos nervosas apalpando o próprio corpo. Ele a observava, enfeitiçado pelo êxtase estampado no semblante da vampira. Então ela abriu os olhos e o encarou: 
- Você é doente, Felipe... 
Ela não conseguia continuar. O seu corpo se convulsionou, tenso, os seios projetados para cima, as pernas dobradas. Os olhos estavam fechados, e boca carnuda semi-aberta tremia. Ela arfava, mordendo os lábios, contorcendo-se enquanto emitia gemidos baixos. 
- Isso, sinta o sexo invadindo seu corpo. – disse Felipe – Eu poderia torturá-la com dores inimagináveis, mas, para uma vadia como você, isso aqui é bem mais apropriado. 

Kaori não conseguia reagir. Não podia pensar, nem controlar-se, cativa que estava do ardor, do orgasmo que ele lhe impunha. Ela gritava e se contorcia em desespero, sem ter como fugir àquelas sensações. Felipe aproximou-se, olhando com desprezo para o corpo da vampira no chão. 
- Era assim que queria vê-la, Kaori. Gemendo, arfando, louca de prazer... 
Ela conseguiu murmurar: 
- Mas não é por você, Felipe. Vejo imagens de muitos homens, menos a sua. 
- Vaca! – ele gritou. 
Imediatamente o orgasmo transformou-se em dor.” 


Kaori – Giulia Moon

25 de jan. de 2012

Trecho de Leitura - Anjos e Demônios

“ Na praça de São Pedro, Vitória olhava para cima. O helicóptero não passava de um pontinho agora que as luzes dos refletores não o alcançavam mais. Até o barulho dos rotores transformara-se em zumbido distante. Parecia que o mundo inteiro se concentrava no alto, emudecido antecipadamente, os rostos de todos voltados para o céu – todas as pessoas, todas as crenças, todos os corações batendo como se fossem um só.

As emoções de Vitória eram um turbilhão de agonias. Quando o helicóptero desapareceu, ela lembrou do rosto de Robert, afastando-se dentro dele. O que será que ele pensou? Será que não compreendeu?

Em torno da praça, as câmeras de televisão sondavam a escuridão, esperando. Milhares de rostos voltavam-se para o céu, unidos em uma contagem silenciosa. Todos os telões mostravam a mesma cena tranqüila: o céu romano pontilhado de estrelas brilhantes. Vitória sentiu as lágrimas começarem a brotar.

Atrás dela, na escadaria de mármore, 161 cardeais olhavam para cima em silenciosa reverência. Alguns tinham as mãos juntas em oração. A maioria permanecia imóvel, aturdida. Alguns choravam. Os segundos passavam.

Nas casas das pessoas, em bares, escritórios, aeroportos, hospitais do mundo todo, os espíritos se uniam em testemunho universal. Homens e mulheres davam as mãos. Outros seguravam seus filhos. Como se tempo pairasse no limbo, as almas suspensas em uníssono.

Então, cruelmente, os sinos de São Pedro começaram a tocar.
Vitória deixou as lágrimas virem.
E, com o mundo inteiro assistindo, .o tempo se esgotou.”


Anjos e Demônios – Dan Brown

17 de jan. de 2012

Trecho de leitura - O Símbolo Perdido

“ - É isso aí – disse um aluno, levantando-se – sei muito bem o que eles fazem dentro desses prédios secretos! Rituais esquisitos à luz de velas, com caixões, forcas e crânios cheios de vinho para beber. Isso, sim, é maluquice.
Langdon correu os olhos pela sala.
- Alguém aqui mais acha que isso é maluquice?
- Sim. – entoaram os alunos em coro.
Langdon deu um suspiro fingido de tristeza.
- Que pena. Se isso é maluquice demais pra vocês, então sei que vocês nunca vão querer entrar para minha seita.
Um silêncio recaiu sobre a sala. A integrante da Associação das Alunas pareceu incomodada.
- O senhor faz parte de uma seita?
Langdon assentiu com a cabeça e baixou a voz até um sussurro conspiratório.
- Não contem para ninguém, mas, no dia em que o deus-sol Rá é venerado pelos pagãos, eu me ajoelho aos pés de um antigo instrumento de tortura e consumo símbolos ritualísticos de sangue e carne.
A turma toda fez uma cara de horrorizada.
Langdon deu de ombros.
- E, se algum de vocês quiser se juntar a mim, vá a capela de Harward no domingo, ajoelhe-se diante da cruz e faça a santa comunhão.
A sala continuou em silêncio.
Langdon deu uma piscadela:
- Abram a mente, meus amigos. Todos nós tememos aquilo que foge à nossa compreensão.”

O Símbolo Perdido – Dan Brown

4 de jan. de 2012

Trecho de leitura - Macunaíma

"O gigante caiu na macarronada fervendo e subiu no ar um cheiro tão forte de couro cozido que mutou todos os ticoticos da cidade e o herói teve uma sapituca. Piatubã se debateu muito e ja estava morre-não-morre. Num esforço gigantesco inda se ergeu no fundo do tacho. Afastou os macarrões que corriam na cara dele, revirou os olhos pro alto, lambeu a bigodeira:
- FALTA QUEIJO exclamou...
E faleceu."

Mario de Andrade - Macunaíma