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24 de jun. de 2012

Momento final

- Mas... eu te amo!
- Não, você não me ama, Clarice.

Clarice parou de repente de andar, com os olhos cheios d’água, enquanto o via virar as costas, se afastar, queria fazer algo, mas não via o que, queria correr e segurá-lo bem forte para impedir que fosse embora, mas não conseguia, seu corpo todo havia se paralisado, como se tivesse tomado um choque, “você não me ama”, como assim? Essas palavras caíram como um peso tal em cima dela, que mesmo fazendo muito esforço não conseguia mandar ordens a seus músculos, não conseguia nem sequer pensar.

Ele continuava a se afastar, se aproximar da porta, sem nem olhar para trás, Clarice sabia que se ele chegasse a porta e a fechasse seria tarde de mais, a partir desse momento não teria mais chance nenhuma de tentar qualquer coisa. Mas a sua mente estava presa em um ponto: “é claro que eu o amo, como ele não vê? Ou será que não?” Até ali ela tinha certeza que o amava muito, um amor tamanho que não tinha olhos para mais nada, mas algo a incomodava, começava a pensar que talvez não, talvez ele estivesse certo, talvez ela não o amasse.

Mas, se não o amava tudo o que vivera fora mentira, porém ela sentia, se sentia era real, não era? Ou se enganará? Poderia o coração se enganar, fazer com que achasse que amava, mas na verdade não amava? Mas sentia, então o que sentia? Clarice não sabia mais ao certo. Talvez paixão, fascínio por encontrar alguém tão diferente, alguém que lhe ensinasse tanta coisa nova e lhe fizesse tão bem. Talvez conformismo, sendo isto não o merecia, seria ela muito criança para merecer alguém como ele?

Nesta hora um baque a tirou de seu devaneio, era o baque da porta batendo. Olhou em volta na esperança de vê-lo mais uma vez ali, sentado no sofá, ou tomando café, não estava lá. Clarice sabia, ele se foi, talvez para sempre, talvez voltasse, não sabia. Ele a amava, disso sabia, e agora, só disso que sabia. Também sabia que a porta se fechara, e, por causa de seu devaneio, não o vira sair. Agora só ficou com a imagem da porta, se ele olhou para ela antes de sair ou simplesmente saiu sem olhar para trás, Clarice nunca saberá.

19 de jun. de 2012

Delírios de outono

Por que a vida exige que sejamos fortes? Enfrentar tudo de cabeça erguida para que não caia, para que não demonstre fraqueza. Mas é realmente a vida que exige isso? Talvez a vida simplesmente nos de a oportunidade e viver, ela não impõem regras, não coloca obstáculos, ela não se complica ou se facilita, mas nos deixa escolher como queremos viver. Se ela não exige que sejamos fortes então buscamos tanto este status?

O que significa ser forte? Ter coragem? Não chorar? Se superar? Seguir em frente mesmo quando parece impossível? Querer ser mais do que é? Vencer barreiras? Ser forte para mostrar para a sociedade que você esta ali, continua lutando, mostrar que você é diferente das outras pessoas porque é forte, porque persistiu. Então é a sociedade quem determina que temos que ser forte, e não a vida.

Mas qual o problema de ser fraco? O que tem de mais chorar quando não se aguenta mais a pressão dentro de sua cabeça? Qual o problema de mudar de opinião de vez em quando? Nosso corpo é fraco, nosso alimento é fraco, o mundo em que vivemos é fraco e sensível a pequenas alterações de ambiente. Então porque a nossa mente tem que ser forte? E por que a fraqueza é tida como algo ruim e pejorativo?

Talvez a sociedade tenha mudado os conceitos, o que significa ser fraco talvez seja ser forte, e vice-versa. Talvez esses conceitos, simplesmente, não deveriam existir. Pois só existem porque nossa percepção de mundo é dual, composta de opostos. Isto causa a criação dos conceitos bom e ruim, e o fato de colocarmos estes conceitos como adjetivo de coisas especificas. Prefiro pensar que só existem maneiras diferentes de reagir, e não o modo fraco e o forte, o bom e o ruim.


“O problema não é problema, o problema é a atitude com relação ao problema.” Kelly Young.

22 de dez. de 2011

Evolução e aprendizado

Quanto mais eu paro para observar, mais eu paro para refletir, mais eu vejo que as pessoas são egoístas, ou simplesmente gostam de viver simplesmente por viver, simplesmente por estar aqui neste brilhante mundo simplesmente por estar, o que me leva a pensar isso? As pessoas, ou esquecem ou não sabem, o porque que temos dois olhos e dois ouvidos e apenas uma boca, o motivo pelo qual a espécie é sempre renovada de forma que os mais novos convivam com os mais velhos.

As pessoas estão preocupadas só e somente com as suas vidas, em como vão fazer determinada coisa, em como vão solucionar determinado problema, passando pela vida só por passar, sem fazer nenhuma diferença para a sociedade ou para si mesma. Se nós temos dois olhos e dois ouvidos e apenas uma boca, tenho a ligeira impressão de que é para que nos primeiros anos de nossa vida, o que não abrange só a infância mas toda a fase adulta, nós falarmos o minimo possível e prestarmos atenção no que os mais velhos tem a dizer, não só por que eles tem que ser respeitados porque estão no fim da vida, mas porque podemos aprender com os erros deles.

O motivo pelo qual a espécie se multiplica permitindo o contato entre as gerações não é simplesmente a perpetuação ou sobrevivência da especie, mas a evolução da mesma, o contato existe para que possamos aprender e nos adaptar a realidade, evolução. O contato entre gerações não só para termos uma família, mas sim para que não necessitemos repetir os mesmos erros que nossos antepassados cometeram, para que serve o poder de se comunicar se vamos sempre repetir os mesmos erros? É justamente para isso não ocorrer.

A sociedade só irá ter o poder de mudar e evoluir quando as pessoas perceberem que é com o contato entre gerações que a geração passada consegue passar o que aprendeu para nova geração, para que esta não perca tempo cometendo os mesmos erros e possa cometer outros, aprendendo assim coisas novas e aperfeiçoando o que a geração passada ensinou, assim a geração seguinte aprenderia o dobro do que esta aprendeu e aprenderia coisas que agente nem imaginaria em aprender, e, quem sabe com o tempo, chegaríamos enfim a ter, de fato, uma mudança e uma evolução em nossa sociedade.
"O preço do novo é o declínio da ordem!" Marcelo Gleiser.