4 de jan. de 2012

Trecho de leitura - Macunaíma

"O gigante caiu na macarronada fervendo e subiu no ar um cheiro tão forte de couro cozido que mutou todos os ticoticos da cidade e o herói teve uma sapituca. Piatubã se debateu muito e ja estava morre-não-morre. Num esforço gigantesco inda se ergeu no fundo do tacho. Afastou os macarrões que corriam na cara dele, revirou os olhos pro alto, lambeu a bigodeira:
- FALTA QUEIJO exclamou...
E faleceu."

Mario de Andrade - Macunaíma

3 de jan. de 2012

Cada hora uma história

Sua vida está andando bem, você conseguiu colocar em prática a maioria das coisas que planejou, entrou para o curso que queria, esta conseguindo levar e conciliar bem os estudos, amigos, relações amorosas, tudo isso sem que uma area de sua vida afete a outra, lutou e continua lutando com todas as forças para conseguir completar está jornada que escolheu para está fase da vida, mesmo com muitos dizendo que não conseguirá, mesmo com muitos empecilhos, você passar por cima e segue em frente.

Até que em uma determinada hora, local ou até razão, talvez um desgaste emocional, ou mesmo um desgaste físico, talvez um momento de reflexão, ou mesmo vontade de chutar tudo para o alto, chega um momento em que você para, olha em volta, analisa onde está, o que está fazendo e o motivo pelo qual está fazendo, você percebe que se enganou levemente, percebe que não gosta tanto assim do curso escolhido, percebe que nem todos os colegas com que fala são de fato os amigos que imaginou, percebe que sua vida segue um padrão que você nunca desejou e sempre criticou, então você se pergunta: "que droga eu ainda estou fazendo aqui?"

Pensa em mudar, mudar de ares, mudar de companhia, mudar de curso, talvez até mudar de colégio, não, porque não ir mas além, mudar de pensamentos, de objetivos, de escolhas, mudar completamente o rumo da sua vida, ora, acontece, pessoas são pessoas porque mudam de ideia, de opinião. Pensa um pouco mais e quase resolve, desistir, sim, para que continuar? Não é o que seguir, de qualquer forma irá mudar, resolve jogar tudo pela descarga, desistir e tornar tudo inútil.

Então você começa a se lembrar de tudo o que passou até chegar aqui, tudo o que enfrentou, todos que enfrentou, toda a sua luta, seu esforço, simplesmente serão jogados no lixo? Não, existe outra solução, resolve que não desistirá, seguirá o curso até o fim, prosseguirá com a vida que tem, mas se conformará, mudará no momento certo, decide terminar está fase da vida perfeitamente, como planejou, e no momento de mudança de fases, aí sim, então você fará a mudança que deseja, afinal, o que é a vida senão a chance de tentar e experimentar tudo o que vem a cabeça? 

Podemos tudo, mas com responsabilidade e compromisso, cada coisa em sua hora e cada hora sua história, nada fica incompleto, nada fica pelo meio, não se termina uma história no meio, podemos ter muitas no decorrer na vida, cada uma diferente da outra, cada uma mais estranha e encantadora que a outra, porém todas com início, meio e fim.

1 de jan. de 2012

Um início pouco diferente.

Primeiro texto do ano, não sei o que escrever... Poderia começar com algum clichê como: "desejo a todos um feliz ano novo, e que todos os seus sonhos se realizem..." mas isso é comum, é batido, todo ano começa com essas frases, então pensei, talvez, em começar com um "contra clichê" : "que nenhum sonho se realize e que esse não seja um bom ano." Coisa feia de se dizer, e assustadora também, mas não sei, tenho uma pequena necessidade de ser diferente, porém acabei descobrindo que é justamente essa necessidade de ser diferente que me faz igual a todos no mundo.

Então, em vez de desejar que 2012 seja, vou desejar que você faça de 2012 o que você quiser dele. Começando com um bom texto para ler...

"RECEITA DE ANO-NOVO!!!
(Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar
belíssimo Ano Novo cor do arco-íris,
ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação
com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior) novo,
espontâneo,
que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come,
se passeia,
se ama,
se compreende,
se trabalha,
você não precisa beber champanha
ou qualquer outra birita,
não precisa expedir
nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade,
recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados,
começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro,
tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você
que o Ano Novo cochila
e espera desde sempre."


Feliz Ano Novo para todos os leitores!... ;)

30 de dez. de 2011

Bamdolins

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins


Oswaldo Montenegro

22 de dez. de 2011

Evolução e aprendizado

Quanto mais eu paro para observar, mais eu paro para refletir, mais eu vejo que as pessoas são egoístas, ou simplesmente gostam de viver simplesmente por viver, simplesmente por estar aqui neste brilhante mundo simplesmente por estar, o que me leva a pensar isso? As pessoas, ou esquecem ou não sabem, o porque que temos dois olhos e dois ouvidos e apenas uma boca, o motivo pelo qual a espécie é sempre renovada de forma que os mais novos convivam com os mais velhos.

As pessoas estão preocupadas só e somente com as suas vidas, em como vão fazer determinada coisa, em como vão solucionar determinado problema, passando pela vida só por passar, sem fazer nenhuma diferença para a sociedade ou para si mesma. Se nós temos dois olhos e dois ouvidos e apenas uma boca, tenho a ligeira impressão de que é para que nos primeiros anos de nossa vida, o que não abrange só a infância mas toda a fase adulta, nós falarmos o minimo possível e prestarmos atenção no que os mais velhos tem a dizer, não só por que eles tem que ser respeitados porque estão no fim da vida, mas porque podemos aprender com os erros deles.

O motivo pelo qual a espécie se multiplica permitindo o contato entre as gerações não é simplesmente a perpetuação ou sobrevivência da especie, mas a evolução da mesma, o contato existe para que possamos aprender e nos adaptar a realidade, evolução. O contato entre gerações não só para termos uma família, mas sim para que não necessitemos repetir os mesmos erros que nossos antepassados cometeram, para que serve o poder de se comunicar se vamos sempre repetir os mesmos erros? É justamente para isso não ocorrer.

A sociedade só irá ter o poder de mudar e evoluir quando as pessoas perceberem que é com o contato entre gerações que a geração passada consegue passar o que aprendeu para nova geração, para que esta não perca tempo cometendo os mesmos erros e possa cometer outros, aprendendo assim coisas novas e aperfeiçoando o que a geração passada ensinou, assim a geração seguinte aprenderia o dobro do que esta aprendeu e aprenderia coisas que agente nem imaginaria em aprender, e, quem sabe com o tempo, chegaríamos enfim a ter, de fato, uma mudança e uma evolução em nossa sociedade.
"O preço do novo é o declínio da ordem!" Marcelo Gleiser.

3 de dez. de 2011

Terra de Gigantes

Hey mãe! Eu tenho uma guitarra elétrica
Durante muito tempo isso foi tudo que eu queria ter
Mas, hey mãe! Alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer

Hey mãe! Tem uns amigos tocando comigo
Eles são legais, além do mais, não querem nem saber
Mas agora, lá fora o mundo todo é uma ilha
Há milhas, e milhas, e milhas de qualquer lugar

Nessa terra de gigantes eu sei, já ouvimos tudo isso antes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

As revistas, as revoltas, as conquistas da juventude
São heranças, são motivos pra mudanças de atitude
Os discos, as danças, os riscos da juventude
A cara limpa, a roupa suja, esperando que o tempo mude

Nessa terra de gigantes tudo isso já foi dito antes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

Hey mãe! Eu já não esquento a cabeça
Durante muito tempo isso era só o que eu podia fazer
Mas, hey hey mãe! Por mais que a gente cresça
Há sempre alguma coisa que a gente
Não conseque entender

Por isso, mãe
Só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto
Antes de anoitecer pois agora lá fora,
O mundo todo é uma ilha
Há milhas, e milhas, e milhas...

Nessa terra de gigantes que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

Mega, ultra, hiper, micro, baixas calorias,
Kilowats, gigabites
Traço de audiência
Tração nas quatro rodas
E eu, o que faço com esses números?
Eu, o que faço com esses números?

Nessa terra de gigantes eu sei, já ouvimos, tudo isso antes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

Hey mãe.....hey mãe


Engenheiros do Havai.

17 de nov. de 2011

Verdadeiro amigo

Interessante é como o livro sempre se mostra seu melhor amigo, sempre está lá nas horas em que preciso recorrer a ele, sempre tem algo a dizer, sejam palavras que me confortam ou simplesmente palavras que me façam esquecer, que me façam viajar em um outro mundo.

O meu refúgio, ou fuga se quiserem assim chamar, o lugar onde me escondo, é um mundo inteiro completamente diferente do mundo real, ou melhor, do mundo em que vivemos, pois ele se faz real no instante em que estou nele. E é também diferente dele mesmo a cada momento, a cada livro que leio, a cada história que imagino.

O mais legal deste mundo, além do fato de ser exclusivamente meu, é que posso mudá-lo quantas vezes eu quiser, quando e como eu quiser, é pura imaginação orientada por um narrador distante, este orienta a direção, mas o resto sou eu quem faço. E o mais divertido é que posso entrar e sair dele a qualquer momento.

Exatamente a qualquer momento, basta querer, basta começar a ler, e neste ponto volto ao meu caro amigo, que sempre estará lá, não importa o que eu faça ou deixe de fazer, o que eu diga ou que sinta, ele simplesmente estará no mesmo lugar que eu o coloquei, só esperando por mim.

18 de out. de 2011

Palavras da paixão

Eu gosto de te ter assim bem perinho de mim, seus olhos a me observar e refletir os meus como um espelho de águas cristalinas e negras, sentir sua boca macia a cada beijo em cada pedaço do meu corpo me arrepiando por inteiro, sentir suas mãos quentes, leves e cuidadosas passeando pelo meu corpo sem destino de viajem ou tempo de voo. 

Adoro te ver sorrindo, um sorriso que alegra o ambiente a sua volta, colore com cores fortes o vento de um temporal e com corres suaves a brisa de um dia calmo, essa brisa que balança o seu cabelo castigando seus cachos de anjo com a pena de ficarem bagunçados. É bom sentir o seu corpo em volta do meu como que me protegendo desse mesmo vento que seu sorriso colore, seu peito como que encarando ao mesmo e dizendo que não deixará o mesmo castigo ser dado ao meu cabelo.

Adoro esse cuidado a mim investido, me comparando a mais bela das criaturas que, por inocente e dócil, precisa ser protegida de todo e qualquer ataque que a natureza possa impor contra minha existência, comparando ao mais belo quadro, mais bela arte, que, por não haver forma, não há outro igual, nem ao menos parecido, tendo que ser protegido de olhares que não venham com o objetivo de admirar. 

Meu maior desejo é sempre te ter ao meu lado, sempre poder contar com o seu braço a me envolver, com seus olhos a me invadir a alma, a imaginação, os mais profundos pensamentos e a reparar nos mais simples gestos de meu corpo.

6 de out. de 2011

Re-recomeço das aulas.

E as aulas voltaram, pelo menos no IFRJ de Nilópolis, estou tão feliz, voltar a estudar, voltar para o colégio, já estava na hora.

"O conhecimento não representa necessariamente sabedoria, mas com certeza a ignorância nunca é uma opção razoável" Marcelo Gleiser0

"Estou apenas procurando meu lugar no espaço e meu espaço em mim mesmo" Ale Pierre

3 de out. de 2011

Uma consulta ao psicólogo

Sophy entra na sala do psicólogo sorridente, é a primeira consulta de uma série que foi obrigada a fazer, resolveu se divertir.
 - Bom dia doutor.
 - Bom dia Sophy, por que está aqui?
 - Parece que minha mãe quer saber se sou maluca ou psicopata.
 - E o que você acha?
 - Acho que lá fora estão os psicopatas, dentro dos prédios e empresas estão os malucos e aqui e na sala de espera os que eles acham serem malucos ou psicopatas.
 - Onde você se encaixa?
 - Sou uma viajante.
 - Como assim?
 - Convivo com malucos, passo por psicopata e estou aqui.

O doutor fez uma cara de intrigado e pegou algumas folhas, são aquelas figuras em preto e branco que parecem ser as primeiras tentativas de fotografia, testes que não deram certo.
 - Quero que me diga o que vê.
E pegou uma delas.
 - Um monte de borrão preto.
 - Não, que imagens você vê?
 - Ah sim... - "depois eu sou a maluca " pensou "vou me divertir" - bom, vejo um unicórnio, um palácio e a pequena sereia, ali é o Patrick  Jane, o que o mentalista está fazendo no conto de fadas?
O doutor riu, percebeu a intenção da menina, então puxa outra folha.
 - Vamos tentar essa.
 - Hum... uma fada, um anão de jardim e o Peter Pan, se virar de cabeça para baixo uma árvore de natal, espera... tem um presépio ali no canto, o Peter Pan vai comemorar o natal?

O doutor deixa escapar uma risada, afinal ela não tem nada além de uma ótima criatividade.
 - Ok, porque você não faz um desenho?
 - O que quer que eu desenhe?
 - O que você quiser.
 - Vou fazer melhor doutor, vou fazer dois desenhos.
Então ela dividiu a folha em dois, de um lado não desenhou nada, do outro fez dois retângulos e um circulo.
 - Está aqui.
 - O que é este desenho, ou não fez desenho?
 - É uma vaca comendo o pasto.
 - Hum... deixa eu adivinhar, ela comeu o pasto todo e foi embora?
 - Quase, ela se engasgou com a última folha e foi procurar um rio para desentalar.
 - E este° Já sei, um sanduiche de ovo?
 - Um sanduiche de ovo e presunto.
 - Presunto?
 - Esqueceram de matar o porco, aí ele fugiu.

O doutor não se esforçou em esconder o riso, gostou dela, decidiu:
 - Está bem, você não precisa de acompanhamento psicológico, mas venha mesmo assim semana que vem, é a única diversão por aqui.