28/05/2012

O amor pela causa

Alguns dizem que a paz no mundo pode ser alcançada com o amor, o amor ao próximo. Mas como se o amor não é simples? O amor é complicado. E muitos não sabem amar, não sabem nem se quer o real significado da palavra amor. Talvez seja o inverso, talvez não seja o ódio que cause as guerras, mas talvez seja o próprio amor, um amor descomunal, exagerado, tão grande que não cabe nas palavras e tem que passar as atitudes, e assim como uma droga se torna uma obseção. 

Ora, o que é o nacionalismo, o patriotismo, se não um amor obsessivo pelo seu país? Uma visão exagerada e fora de foco que o nosso é sempre o melhor, o mais correto, o mais belo. Uma visão de que a nossa a sociedade, a nossa cultura é a mais avançada, que o progresso é um avanço linear e que o nosso país esta na ponta da direita desta linha. Talvez a concepção de certo e errado seja somente uma questão de opinião, de ponto de vista, ou menos, talvez seja apenas o olhar tradicional de uma cultura que tem ela mesma como centro de foco. 

Talvez a solução não seja mais amor, mas sim mais compreensão, mais capacidade de obter outro ponto de vista, capacidade de se colocar no lugar do outro. Não precisa ama-lo, muito menos odia-lo, não é necessário gostar ou concordar com sua perspectiva, mas apenas compreende-la, e entender o porquê daquilo, o motivo pelo qual determinada coisa é feita e entendida como certa, ou errada. 

Não é preciso mais amor, talvez se houver mais amor haverá mais guerra. É preciso mais sabedoria. Talvez uma quebra com conceitos tradicionais, talvez um desapego do sentimento de querer estar sempre certo e não poder mudar de opinião, talvez um tratamento de choque para o medo de mudança. Dizer que o amor ao próximo ao próximo é o remédio para todos os males? Sejamos sinceros, quem aqui morreria pelo “próximo”? Mas uma boa pergunta é: quem ainda é capaz de morrer pela pátria? Ou no Brasil, pelo seu time de futebol. 


“Como é sabido, agente só se bate por uma causa na qual se tem confiança e pela qual se tem amor.” Adolf Hitler.

26/05/2012

Delírios do coração


Parece um sonho, não da para acreditar que é real, você é tudo o que sonhei, imaginei, criei, e melhor, veio com extras, coisas que não pedi e vieram juntas no pacote só para me deixar mais feliz. Parece que te criei ontem, montei parte por parte, característica por característica, do jeito que eu quis, melhor não poderia ficar. Depois pedi a Afrodite que soprasse vida a um coração feito especialmente para mim. 

Por mais que te conheça há pouco tempo, sei pouco sobre você, mas sei mais poderia saber só neste pouco tempo, parece que te conheço a muito tempo, talvez por encanto, mágica, uma força que não deixa sentir falta de lembranças, simplesmente substitui por planos, imaginação, por mais que seja um futuro incerto, uma tela um branco que pode ser pintada e repintada quantas vezes quiser. 


Para quem aprendeu a não esperar um “príncipe encantado”, a não esperar por um homem que seja tudo o que sempre quis, simplesmente porque pessoas são imperfeitas e alma gêmea é coisa de conto de fadas, encontrar alguém assim é, ou muita sorte, ou muito azar. Difícil acreditar de cara, difícil não desconfiar que tem alguma coisa errada, ou certa de mais, mas mesmo assim você me conquistou, venceu meus escudos e me deixou assim: com medo do futuro, com medo de um futuro que eu não consigo prever.

21/05/2012

Começo de uma história

E quando eu sossego, quando eu resolvo que não quero mais problemas, não quero mais preocupação, nem outro foco para minha atenção, ai sim, surge alguém que me tira do sério, surge aquela pessoa que consegue juntar todas as qualidades e características que você sempre imaginou, sonhou, e ainda consegue ser melhor que o melhor se seus sonhos. 

No inicio você desconfia, acha que é mais um caçador a procura de uma presa fácil, mas de alguma forma você sente algo diferente, resolve dar uma chance, mas tenta, com todas as forças, não se apaixonar, consegue seguir os planos, porém percebe que, aos poucos, é ele quem domina seus pensamentos, o jeito dele te agrada, estar com ele te faz bem. Então percebe, não conseguiu, está apaixonada. 
Resolve, então, se entregar, ver o que acontece, ser você mesma. O final da história? Desconheço, e por algum motivo não quero conhecer, quero simplesmente deixar o tempo caminhar, os sentimentos fluírem e me levarem para onde quiserem. Vou me arrepender? Não, pois do pior que possa acontecer vou aprender mais alguma coisa, mas se for para me arrepender, prefiro que seja pelo que fiz e nunca pelo que deixei de fazer.

28/04/2012

Trecho de leitura - O Guarani

“ - Por que me chamas tu Ceci?
O índio sorriu tristemente. 
- Não sabes dizer Cecília? 
Peri pronunciou claramente o nome da moça com todas as silabas; isso era tanto mais admirável quanto a sua língua não conhecia quatro letras, das quais uma era o L. 
- Mas então, disse a menina com alguma curiosidade, se tusabes o meu nome, por que não dizes sempre? 
- Porque Ceci é o nome que Peri tem dentro da alma. 
- Ah! É um nome da tua língua? 
- Sim. 
- O que quer dizer? 
- O que Peri sente. 
- Mas em português? 
- Senhora não deve saber. 
A menina bateu com a ponta do pé no chão e fez um gesto de impaciência. 
D. Antônio passou; Cecília correu ao seu encontro. 
- Meu pai, dizei-me o que significa Ceci nessa língua selvagem que falais. 
- Ceci!... disse o fidalgo procurando lembrar-se. Sim! É um verbo que significa doer, magoar. 
A menina sentiu um remorso; reconheceu sua ingratidão; e lembrando-se do que devia ao selvagem e da maneira por que o tratava, achou-se má, egoísta e cruel. 
- Que doce palavra! Disse ela a seu pai, parece; um canto de pássaro. 
Desde este dia foi boa para Peri; pouco a pouco perdeu o susto; começou a compreender essa alma inculta; viu nele um escravo, depois um amigo fiel e dedica. 
- “Chama-me Ceci, dizia às vezes ao índio sorrindo-se; esse doce nome me lembrará que fui má para ti; e me ensinará a ser boa.” 


O Guarani – José de Alencar

14/04/2012

Simples devaneio

O que me leva a escrever? Uma pergunta me feita uma vez, em muitas ocasiões, cada resposta era uma resposta diferente, um motivo diferente, mas não é por isso que todas as respostas são falsas, mas também não é por isso que todas as respostas são verdadeiras. Talvez só me tenham feito à pergunta errada. Qual seria a certa? Não tenho certeza. Mas talvez: você o porquê que você escreve? Resposta: não faço a menor ideia. Sim, é possível não fazer ideia do porque se escreve, sobre o que escreve, simplesmente se escreve. 

Tenho hipóteses que podem responder essa pergunta, algumas respondem bem, outras deixam explicações vagas. Hipóteses que podem se tornar teorias pelo simples fato de serem baseadas em argumentos bem fundamentados, mas não quer dizer que seja verdade. Escrevo porque me sinto bem escrever, porque saio de mim e vejo o mundo de outra maneira, porque gosto de ver as letras organizadas em palavras e as mesmas formando frases coerentes e com sentido completo. Coerente? Talvez nem tanto, talvez puros devaneios de uma mente cansada de procurar respostas para as perguntas que não se fazem. 

E já que as minhas frases talvez não tenham coerência por que o texto precisa ter? Um texto feito por junções de frases desconectas (como este) pode ter a capacidade da coerência? Ou ao menos necessita tê-la? A coerência é mero requisito para uma escrita formal, este texto não tem a pretensão de ser formal, nem ao menos informal, só tem a pretensão de ser um texto. Não o julgo capaz nem de ser dotado de sentido. Se não PE um texto formal não tem a necessidade te ter um começo, um meio e um fim, sendo assim talvez caiba a mim, simplesmente, acaba-lo abruptamente.

05/04/2012

Inevitável reflexão

Porque você não sai da minha cabeça, não adianta, não sai, seus cabelos, macios como a malha mais confortável de se cobrir, da cor do lírio (se é que eu conheço a cor do lírio), seus olhos que ao mesmo tempo que distantes também penetram em mim como que tentando descobrir meus segredos, meus pensamentos, tentando descobrir o “eu” que tento manter seguro lá dentro de mim por simples segurança. Sua voz que seu sotaque da um quê especial, suave, segura, acolhedora. 

Mas não só sua imagem que não sai da minha cabeça, todo o tipo de pensamento referente a você, a ideia de como o destino (se é que há um) traçou nosso encontro, a ideia de ter ao mesmo tempo tão perto e tão distante, as perguntas sem resposta, as que perguntas que não tem resposta imediata, e as que sequer tem resposta: será que vai dar certo? Será que é real? Tenho certeza de que não estou sonhando? Será que é o momento, o instante ou é para sempre? Respostas que só o tempo dirá. 

Mas de uma forma ou de outra a saudade bate, e bate forte, a vontade de te ver, de te ter junto a mim, passar as mãos em seus cabelos, olhar em seus olhos, sentir teu toque, ouvir sua voz dizendo que sentiu minha falta, que me quer, que me ama, te abraçar forte, dizer que te amo. A distância, o tempo, o que são? São meras barreiras momentâneas que o próprio tempo transformara em pó, muros que são escalados aos poucos. O que mais interessa no momento? Não sei, talvez o sentimento, talvez a razão, talvez simplesmente o tato, também o que importa? Quando estou com você: nada importa, tudo importa.

21/03/2012

Trecho de leitura - Fortaleza Digital

“ Uma noite durante a apresentação do Quebra-nozes na universidade, Susan escreveu para Becker sua primeira mensagem encriptada, usando um código básico. Ele ficou sentado durante todo intervalo refletindo sobre mensagem de 20 letras: 

                  ENH ANL SDQ SD BNMGDBHCN 

Finalmente, pouco antes das luzes se apagarem para a segunda parte, ele compreendeu. Para codificar a mensagem, Susan havia simplesmente substituído cada letra do texto pela letra anterior do alfabeto. Para decifrar o código, tudo que Becker tinha que fazer era trocar cada uma das letras pela seguinte. A virava B, B virava C, e assim por diante. Ele rapidamente fez isso com as outras letras. Nunca imaginou que cinco breves palavras pudessem deixá-lo tão feliz: 

                   FOI BOM TER TE CONHECIDO 

Ele rabiscou rapidamente sua resposta e deu o papel para Susan: 

                         SZLADL ZBGDH 

Susan leu e corou.” 



Fortaleza Digital – Dan Brown

16/03/2012

A caverna da atualidade.

Achei muito apropriado aos dias de hoje a imagem, uma visão politica e econômica, uma das poucas informações uteis que passam pelo facebook.

A ideia de uma figura presa a uma situação imposta a ela não é de hoje, a Alegoria da Caverna de Platão passa essa ideia, de alguém preso a um sistema, imagino que quem fez essa imagem tenha se inspirado nela, mas ali é acrescentado uma ideia a mais, dizendo que a imagem representa o mundo capitalista, as pessoas penduradas são os pobres, a base da piramide, que de fato quem sustenta o capitalismo, querendo ou não. O gordo sentado pode representar a burguesia que é "alimentada" pelos pobres e alimenta quem esta de fato no poder, mas ao mesmo tempo ele passa a ideia de que o gordo da figura não se da conta de que se alimenta das pessoas penduradas, numa alusão a Alegoria, as sombras feitas no muro é a televisão alimentando o consumismo, e da mesma forma que as pessoas presas na caverna não sabem o que produz as imagens, o gordo na figura não sabe que esta sendo manipulado. De um outro ponto de vista pode-se dizer que são os trabalhadores dos países desenvolvidos que exploram os trabalhadores dos países subdesenvolvidos sem nem se dar conta, como dizia um filósofo francês. Mas o que chamou minha atenção nessa imagem é o quanto a referencia feita ao sistema capitalista é real.

02/03/2012

Lágrimas de um sobrevivente

Ás vezes a vontade de chorar é maior que muita coisa, mas o choro não tem exatamente uma causa, um motivo, só aparece, talvez como uma forma de escape, talvez uma forma de aliviar as tensões, de não deixar você pirar e fazer alguma coisa que não deveria. Ele vem de muitas formas em momentos diferentes, as vezes vem como um amigo, com a mais pura intenção de se fazer presente e te dizer que você pode contar, desabafar e acreditar. 

Na maioria das vezes vem como uma lembrança, não necessariamente a lembrança de alguma época ou de algum fato que te faça feliz ou triste, mas como uma lembrança de você mesmo, de que você pode e deve confiar, primeiramente, em você, lembrar que acreditar em sim mesmo é a melhor escolha a se fazer, e lembrar, também, que se deve pensar com calma ao planejar as coisas, os planos, as atitudes, o futuro, sempre com calma, pode parecer frieza, mas a melhor maneira de pensar, de traçar planos, é com calma e sendo calculista, levando em consideração todas as ínfimas possibilidades de dar errado. 

Cada lagrima tem um significado diferente, como se o choro tivesse etapas, primeiro o desespero, a ideia de impotência sentida em determinada situação, onde a única solução é deixar o tempo fluir e trazer a oportunidade para os planos funcionarem, depois o consolo, onde você diz para si mesmo que vai conseguir, que vai dar certo, que você pode, tem capacidade. Logo após se transforma na calma que necessita para pensar em cada detalhe de sua estratégia, seus planos. 


“O que é e o que é? Clara e salgada,cabe em um olho e pesa uma tonelada (...) Eu que me julguei forte, eu que me senti, serei eu fraco quando outras dela vir. Se o barato é louco e o processo é lento, no momento, deixa eu caminhar contra o vento.” Racionais Mc’s

24/02/2012

Trecho de Leitura - A farsa

“ - Já revisou o avião inteiro? – perguntou Marti, de braços cruzados ao lado do piloto. 
- De alto a baixo. Fora o Sr. Palumbo, não tem mais nenhum passageiro a bordo. 
- Impossível. – Marti lançou um olhar acusador para Von Daniken. – Temos provas de que o prisioneiro está a bordo. 
- E que provas são essas? - Perguntou Palumbo. 
- Não faça joguinhos comigo – disse Marti, - sabemos quem o senhor é e para quem trabalha. 
- Sabem mesmo? Então eu acho que posso contar para os senhores. 
- Contar o que? – perguntou Marti. 
- O cara que vocês estão procurando... jogamos ele do avião meia hora atrás, naquelas suas imensas montanhas. Ele disse que sempre tinha sonhado em ver os Alpes. 
Os olhos de Marti se arregalaram. 
- Não... 
- Quem sabe foi isso que travou a turbina. Ou isso ou um ganso. – Palumbo olhou pela janela, balançando a cabeça, divertindo-se. 
Von Daniken puxou Marti de lado. 
- Parece que as nossas informações estavam equivocadas, Herr Justizmimister. Não há nenhum prisioneiro à bordo. 
Marti devolveu seu olhar, lívido de raiva. Uma corrente elétrica varou seu corpo fazendo estremecer os ombros. Com um meneio de cabeça para o passageiro, ele desceu do avião. 

Um único soldado de choque continuava na porta, Von Daniken acenou que descesse. Esperou o soldado desaparecer escada a baixo para tornar a virar para Palumbo. 
- Tenho certeza de que nossos mecânicos vão conseguir concertar sua turbina o quanto antes. Caso o tempo continue ruim e o aeroporto fique fechado, o senhor poderá se hospedar no Hotel Rossli, um pouco mais abaixo nessa mesma rua, e bastante confortável. Queira aceitar as nossas desculpas por qualquer incomodo. 
- Desculpas aceitas. – disse Palumbo. 
- Ah, a propósito – disse Von Daniken, - Eu por acaso encontrei isto aqui no chão. – Chegou mais perto, deixou cair o objeto pequeno e duro na palma da mão do agente da CIA. – Confio no senhor para nos transmitir qualquer informação relevante. 
Palumbo esperou Von Daniken descer da aeronave antes de abrir a mão. 
Em sua palma havia uma unha arrancada e ensaguentada.” 


A Farsa – Christopher Reich