18 de jan. de 2012

A ausência que se faz presente.

Vejo você em todos os lugares, em todos os rostos, em todas as esquinas, em todas as frases, em todas as fotos, em todos os momentos, em todos os comentários, piadas, risadas, vejo seu olhar em todos os olhares, vejo suas mãos em todas as mão, escuto sua voz em cada palavra que ouço, sinto seu cheiro avulsamente na rua, sinto sua pele em cada lembrança, seu gosto, seu toque, seu jeito. 

Por mais que eu tente esquecer, não lembrar se torna cada vez mais impossível, sua lembrança se torna uma presença viva, inconsciente e notável, brigando com cada neorônio meu, cada pensamento, cada músculo, cada molécula e célula de meu corpo, querendo se fazer presente, mesmo não sendo já um presente, querendo ficar quando já devia ter ido. 

O tempo passa, gasto horas pensando, lembrando, sentindo, tentando imaginar o porquê de você não estar ao meu lado neste momento, gasto tempo tentando esquecer, inutilmente, volto a lembrar. Meu cérebro grita com todas as forças: “ pare de perder tempo, seja forte.” Mas meu coração se torna mais audível: “o tempo que você gosta de perder não é tempo perdido.” 

Quero gritar, quero correr, me cansar, esgotar todas as forças que me restam, ocupar todo o tempo livre, só para não ter tempo de pensar em você, até hoje não consigo me acostumar com a sua ausência. Mas no fim, acredito em mim, procuro com todas as forças acreditar que sou capaz, que não vou lembrar mais, que sou forte o suficiente para levantar a cabeça e seguir em frente, tocar a vida, para mais tarde descobrir novamente que sinto sua falta.

17 de jan. de 2012

Trecho de leitura - O Símbolo Perdido

“ - É isso aí – disse um aluno, levantando-se – sei muito bem o que eles fazem dentro desses prédios secretos! Rituais esquisitos à luz de velas, com caixões, forcas e crânios cheios de vinho para beber. Isso, sim, é maluquice.
Langdon correu os olhos pela sala.
- Alguém aqui mais acha que isso é maluquice?
- Sim. – entoaram os alunos em coro.
Langdon deu um suspiro fingido de tristeza.
- Que pena. Se isso é maluquice demais pra vocês, então sei que vocês nunca vão querer entrar para minha seita.
Um silêncio recaiu sobre a sala. A integrante da Associação das Alunas pareceu incomodada.
- O senhor faz parte de uma seita?
Langdon assentiu com a cabeça e baixou a voz até um sussurro conspiratório.
- Não contem para ninguém, mas, no dia em que o deus-sol Rá é venerado pelos pagãos, eu me ajoelho aos pés de um antigo instrumento de tortura e consumo símbolos ritualísticos de sangue e carne.
A turma toda fez uma cara de horrorizada.
Langdon deu de ombros.
- E, se algum de vocês quiser se juntar a mim, vá a capela de Harward no domingo, ajoelhe-se diante da cruz e faça a santa comunhão.
A sala continuou em silêncio.
Langdon deu uma piscadela:
- Abram a mente, meus amigos. Todos nós tememos aquilo que foge à nossa compreensão.”

O Símbolo Perdido – Dan Brown

14 de jan. de 2012

Escolher, difícil ação.

Sou daquelas pessoas que os amigos dizem ser do contra, não por descordar de todos, mas por gostar de coisas a maioria não gosta, claro a maioria das pessoas com as quais eu convivo, faço técnico em química, logo é de esperar que a maioria das pessoas que estudam ali, inclusive eu gostem de química, alguns chegam a pensar pior, só gostamos de química. Não vou mentir, a maioria ali dentro realmente só gostam, ou gostam muito mais, de exatas, já eu, explicação do "contra", sou apaixonada por química, mas é a única exata que gosto, mas sou apaixonada também por sociais e algumas humanas.

Paro para pensar, quando nos formamos a maioria vai fazer algo relacionado a exatas, e muitos já tem escolhido e  certo o que vão fazer, mais uma vez eu do contra, não tenho ideia do que quero fazer. Fico a refletir, por que temos que escolher uma carreira para segui-lá pelo resto da vida? Começando pelo fato de que o resto da vida é muito tempo para fazer uma coisa só, e depois uma só. No meu mundo da imaginação nós podemos fazer quantas quisermos, sem a necessidade de escolher uma área para carreira, até porque o segundo grau não dá base para se escolher uma coisa para o resto da vida, eu por exemplo iria fazer uma faculdade de química, outra de história, sociologia, filosofia, psicologia, literatura, música.... (essa lista não tem fim).
As vezes minha criativa e bem motivada imaginação cria um mundo onde podemos ser cada dia uma coisa diferente, sem o compromisso de ter que escolher, ou pelo menos como se fosse um estágio, sim um estágio em cada área para poder escolher com mais propriedade o que queremos ser, mas voltando aos dias diferentes para quem não entendeu a ideia, ontem fui professora, hoje pediatra, amanhã astróloga, depois enfermeira, escritora, cartomante, papagaio, passarinho, árvore.

Não entendo o motivo dessa pressão que a sociedade faz em cima dos jovens para escolherem, escolher é um verbo tão malicioso, cruel e irritante, faz você tomar uma decisão entre duas coisas, ou mais, sendo que se fosse possível a escolha que você faria seria justamente não escolher, ficaria com tudo, simplesmente porque gosta, porque quer, seria bem mais divertido.

9 de jan. de 2012

Animais de estimação

Interessante até aonde as pessoas vão para ser, ou parecer, diferentes. Dentre muitas coisas hoje resolvi falar de animais de estimação, quase todo mundo tem animal de estimação seja ele qual for, o animal mais comum é o cachorro, não sei qual é a fascinação do ser humano pelo cachorro, dizem ser o melhor amigo do homem, um animal que come, caga, te lambe, e, dependendo do cachorro, balança o rabinho quando um assaltante invade sua casa. Mas a preferência nacional é o cachorro.

Apesar de existir essa preferência nacional, existem outros animais que podem servir como animais de estimação, mas existem pessoas que exageram, só para ser justa vou começar comigo como exemplo e ir aumentando o nível. Eu já tive animais variados, começando por peixinhos de feira, daqueles que morrem em uma semana, já tive um coelho, logo depois uma coelha, que tiveram dois coelhinhos, muito fofinhos, deixaram saudades, depois de um tempo um hamister, bem antes da febre de Rantaro na televisão, este teve um fim deprimente, por fim uma cachorrinha da raça mais aviadada que você imaginar, sim, uma pudo, esta morreu de saudade.

A minha história com animais de estimação é lastimável, mas pessoas com mais sorte que eu gostam de viver perigosamente, já ouvi histórias de pessoas que tem jacaré como animal de estimação, onça pintada, aranhas, lagartos, ratazanas, chinchilas, estas mais de 40, haja paciência Iberê. Ainda estou para ver um ser que vai criar um extraterrestre em casa, como animal de estimação, talvez um anão de jardim, um Hobbit, farei questão de dar o nome de Frôdo, ou um ser mais ousado, que tal um dragão, ou um unicórnio. Cada um com sua mania e suas coleções, cada louco com suas manias, mas não aguentei, tive que registrar.

4 de jan. de 2012

Trecho de leitura - Macunaíma

"O gigante caiu na macarronada fervendo e subiu no ar um cheiro tão forte de couro cozido que mutou todos os ticoticos da cidade e o herói teve uma sapituca. Piatubã se debateu muito e ja estava morre-não-morre. Num esforço gigantesco inda se ergeu no fundo do tacho. Afastou os macarrões que corriam na cara dele, revirou os olhos pro alto, lambeu a bigodeira:
- FALTA QUEIJO exclamou...
E faleceu."

Mario de Andrade - Macunaíma

3 de jan. de 2012

Cada hora uma história

Sua vida está andando bem, você conseguiu colocar em prática a maioria das coisas que planejou, entrou para o curso que queria, esta conseguindo levar e conciliar bem os estudos, amigos, relações amorosas, tudo isso sem que uma area de sua vida afete a outra, lutou e continua lutando com todas as forças para conseguir completar está jornada que escolheu para está fase da vida, mesmo com muitos dizendo que não conseguirá, mesmo com muitos empecilhos, você passar por cima e segue em frente.

Até que em uma determinada hora, local ou até razão, talvez um desgaste emocional, ou mesmo um desgaste físico, talvez um momento de reflexão, ou mesmo vontade de chutar tudo para o alto, chega um momento em que você para, olha em volta, analisa onde está, o que está fazendo e o motivo pelo qual está fazendo, você percebe que se enganou levemente, percebe que não gosta tanto assim do curso escolhido, percebe que nem todos os colegas com que fala são de fato os amigos que imaginou, percebe que sua vida segue um padrão que você nunca desejou e sempre criticou, então você se pergunta: "que droga eu ainda estou fazendo aqui?"

Pensa em mudar, mudar de ares, mudar de companhia, mudar de curso, talvez até mudar de colégio, não, porque não ir mas além, mudar de pensamentos, de objetivos, de escolhas, mudar completamente o rumo da sua vida, ora, acontece, pessoas são pessoas porque mudam de ideia, de opinião. Pensa um pouco mais e quase resolve, desistir, sim, para que continuar? Não é o que seguir, de qualquer forma irá mudar, resolve jogar tudo pela descarga, desistir e tornar tudo inútil.

Então você começa a se lembrar de tudo o que passou até chegar aqui, tudo o que enfrentou, todos que enfrentou, toda a sua luta, seu esforço, simplesmente serão jogados no lixo? Não, existe outra solução, resolve que não desistirá, seguirá o curso até o fim, prosseguirá com a vida que tem, mas se conformará, mudará no momento certo, decide terminar está fase da vida perfeitamente, como planejou, e no momento de mudança de fases, aí sim, então você fará a mudança que deseja, afinal, o que é a vida senão a chance de tentar e experimentar tudo o que vem a cabeça? 

Podemos tudo, mas com responsabilidade e compromisso, cada coisa em sua hora e cada hora sua história, nada fica incompleto, nada fica pelo meio, não se termina uma história no meio, podemos ter muitas no decorrer na vida, cada uma diferente da outra, cada uma mais estranha e encantadora que a outra, porém todas com início, meio e fim.

1 de jan. de 2012

Um início pouco diferente.

Primeiro texto do ano, não sei o que escrever... Poderia começar com algum clichê como: "desejo a todos um feliz ano novo, e que todos os seus sonhos se realizem..." mas isso é comum, é batido, todo ano começa com essas frases, então pensei, talvez, em começar com um "contra clichê" : "que nenhum sonho se realize e que esse não seja um bom ano." Coisa feia de se dizer, e assustadora também, mas não sei, tenho uma pequena necessidade de ser diferente, porém acabei descobrindo que é justamente essa necessidade de ser diferente que me faz igual a todos no mundo.

Então, em vez de desejar que 2012 seja, vou desejar que você faça de 2012 o que você quiser dele. Começando com um bom texto para ler...

"RECEITA DE ANO-NOVO!!!
(Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar
belíssimo Ano Novo cor do arco-íris,
ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação
com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior) novo,
espontâneo,
que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come,
se passeia,
se ama,
se compreende,
se trabalha,
você não precisa beber champanha
ou qualquer outra birita,
não precisa expedir
nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade,
recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados,
começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro,
tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você
que o Ano Novo cochila
e espera desde sempre."


Feliz Ano Novo para todos os leitores!... ;)

30 de dez. de 2011

Bamdolins

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins


Oswaldo Montenegro

22 de dez. de 2011

Evolução e aprendizado

Quanto mais eu paro para observar, mais eu paro para refletir, mais eu vejo que as pessoas são egoístas, ou simplesmente gostam de viver simplesmente por viver, simplesmente por estar aqui neste brilhante mundo simplesmente por estar, o que me leva a pensar isso? As pessoas, ou esquecem ou não sabem, o porque que temos dois olhos e dois ouvidos e apenas uma boca, o motivo pelo qual a espécie é sempre renovada de forma que os mais novos convivam com os mais velhos.

As pessoas estão preocupadas só e somente com as suas vidas, em como vão fazer determinada coisa, em como vão solucionar determinado problema, passando pela vida só por passar, sem fazer nenhuma diferença para a sociedade ou para si mesma. Se nós temos dois olhos e dois ouvidos e apenas uma boca, tenho a ligeira impressão de que é para que nos primeiros anos de nossa vida, o que não abrange só a infância mas toda a fase adulta, nós falarmos o minimo possível e prestarmos atenção no que os mais velhos tem a dizer, não só por que eles tem que ser respeitados porque estão no fim da vida, mas porque podemos aprender com os erros deles.

O motivo pelo qual a espécie se multiplica permitindo o contato entre as gerações não é simplesmente a perpetuação ou sobrevivência da especie, mas a evolução da mesma, o contato existe para que possamos aprender e nos adaptar a realidade, evolução. O contato entre gerações não só para termos uma família, mas sim para que não necessitemos repetir os mesmos erros que nossos antepassados cometeram, para que serve o poder de se comunicar se vamos sempre repetir os mesmos erros? É justamente para isso não ocorrer.

A sociedade só irá ter o poder de mudar e evoluir quando as pessoas perceberem que é com o contato entre gerações que a geração passada consegue passar o que aprendeu para nova geração, para que esta não perca tempo cometendo os mesmos erros e possa cometer outros, aprendendo assim coisas novas e aperfeiçoando o que a geração passada ensinou, assim a geração seguinte aprenderia o dobro do que esta aprendeu e aprenderia coisas que agente nem imaginaria em aprender, e, quem sabe com o tempo, chegaríamos enfim a ter, de fato, uma mudança e uma evolução em nossa sociedade.
"O preço do novo é o declínio da ordem!" Marcelo Gleiser.

3 de dez. de 2011

Terra de Gigantes

Hey mãe! Eu tenho uma guitarra elétrica
Durante muito tempo isso foi tudo que eu queria ter
Mas, hey mãe! Alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer

Hey mãe! Tem uns amigos tocando comigo
Eles são legais, além do mais, não querem nem saber
Mas agora, lá fora o mundo todo é uma ilha
Há milhas, e milhas, e milhas de qualquer lugar

Nessa terra de gigantes eu sei, já ouvimos tudo isso antes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

As revistas, as revoltas, as conquistas da juventude
São heranças, são motivos pra mudanças de atitude
Os discos, as danças, os riscos da juventude
A cara limpa, a roupa suja, esperando que o tempo mude

Nessa terra de gigantes tudo isso já foi dito antes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

Hey mãe! Eu já não esquento a cabeça
Durante muito tempo isso era só o que eu podia fazer
Mas, hey hey mãe! Por mais que a gente cresça
Há sempre alguma coisa que a gente
Não conseque entender

Por isso, mãe
Só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto
Antes de anoitecer pois agora lá fora,
O mundo todo é uma ilha
Há milhas, e milhas, e milhas...

Nessa terra de gigantes que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

Mega, ultra, hiper, micro, baixas calorias,
Kilowats, gigabites
Traço de audiência
Tração nas quatro rodas
E eu, o que faço com esses números?
Eu, o que faço com esses números?

Nessa terra de gigantes eu sei, já ouvimos, tudo isso antes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

Hey mãe.....hey mãe


Engenheiros do Havai.