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5 de mai. de 2011

Índios VS Indígenas, noção de cultura.

Uma das minhas professoras comentou em sala de aula (invadida por mim) sobre uma palestra que um indígena deu aos professores e as diversas reações dos mesmo. Uma das quais me deixou pensativa: ela contou que uma das professoras que se encontravam na palestra falou que era engraçado o fato de o indígena não ter "sotaque de índio" e não parecer com um.

Então me pus a pensar: o que seria "sotaque de índio"? Acredito que seja o que se vê em filmes e desenhos, a idéia de índio que a mídia passa para agente: "mim Tarzam, você Jane." Logo, deve-se pensar que o parecer com um índio é vestir somente uma tanga e sair gritando e batendo no peito pelas árvores... ? Se você pensa assim permita-me dizer que no mínimo você vive em 1500.

Vamos começar diferenciando índio (conceito da mídia) de indígena (descendentes do mesmo). Como falei no parágrafo anterior índio é aquele ser "sem civilização" que os portugueses acharam aqui quando chegaram. Aquele ser que foi oprimido, roubado, humilhado, tirado de sua cultura, forçado a trabalhos braçais, forçado a deixar sua vida de retirar da natureza somente o necessário para sua sobrevivência. 

O indígena é o filho do índio que aqui morava, que mora se mistura à 'civilização" convive com os "brancos"' dia-a-dia e nem se quer reparamos a sua presença. No Rio de Janeiro existe em torno de 30 mil indígenas, morando, trabalhando, convivendo, tendo sua rotina. Interessante uma das respostas que  foi comentada: "então os indígenas estou invadindo a cidade?", gostei da resposta: "desculpa, mas quem foi que invadiu o que mesmo?".

De fato, somos preconceituosos, achamos que sabemos de tudo, somos presunçosos. Ouvi de um amigo que um indígena que ele conhece disse que tem vergonha de se identificar indígena, sim, chegamos a tal ponto, vergonha de sua cultura. 

Acredito que o que faz a cultura brasileira é justamente a mistura de diversas culturas, a tal da miscigenação, por isso mesmo, seja qual for a origem de uma pessoa, sua cultura ou verdades, deve ser respeitada e considerada. Não se deve julgar alguém pelo simples fato de ser diferente, ou de ser igual "devendo" ser diferente, isso não faz sentido. E primeiramente, deve-se descobrir o que é verdade e o que é alegoria. Pensar.

14 de dez. de 2010

O tempo, na verdade, parou.

O ser humano tem a ingênua audácia de achar que ele esta certo, que sua forma de pensar é a certa, sua cultura é a certa, sua religião é a certa. Só porque domina o mundo não quer dizer que o que pensa é lei, é pura pretensão achar que é o correto.Começando pelo fato de que o conceito de certo e errado é muito relativo, depende de como uma pessoa foi criada, em que cultura, com quais princípios, etc. Não significa que se foi criado na cultura X e está acostumado com ela que a Y seja errada, nem ao menos pior ou melhor.


Quando vemos em uma cultura de fora algo que, para nós, é uma atrocidade, logo ficamos horrorizados, mas não percebemos que as vezes na nossa própria cultura vemos e fazemos atrocidades piores, estamos tão acostumados a achar que é assim que não olhamos em volta e pensamos.É mecânico também, olharmos para o povo do passado e sua cultura e acusar-los, mas se parar para comparar, nós somos eles! Sim, tenho que concordar com Cazuza quando ele diz "... vejo o futuro repetir o passado(...) um museu de grandes novidades...".

A forma de pensar do ser humano não mudou, evoluiu, mas não mudou, muito menos sua atitude, "...ainda somos os mesmos (...) e as aparências não enganam não..." Belchior percebeu. Somente achamos novas desculpas, novos artifícios para os mesmos atos, as vezes desfarçados, as vezes não, mas o fato é que nada, nunca mudou, nem ao menos o motivo!


ps: para quem gosta de ler indico um texto de Horace Miner, "Ritos Corporais Entre os Sonacirema"