Olho para um lado, vejo uma pessoa, refletida em um vidro, com fundo conhecido, uma imagem mais do que conhecida, uma cena que é sempre representada da mesma maneira, muda de vez em quando a roupa que a personagem retratada na imagem está usando, mas sempre o mesmo motivo, o mesmo cenário, os mesmos movimentos, sempre uma cena esperada, se surgir ao inesperado refletido haja susto, uma coisa sobrenatural, nunca vejo nada de novo, sempre o previsível.
Olho para o outro lado, também através de vidros vejo, mas vejo agora outra cena, e sempre que olho é uma cena diferente que aparece diante de meus olhos, o mesmo cenário, não, a mesma paisagem, pois mesmo sendo a mesma paisagem, o cenário sempre é diferente, cada vez pessoas diferentes, atitudes diferentes, momentos, movimentos, reações, sempre surge o novo, o inesperado, é cativante parar para observar: “o que será que vem agora?” como um filme, uma sucessão de cenas.
Vejo sempre vidro em volta, mas um vidro reflete uma monotonia e o outro reflete uma constante mudança, mesmo assim ainda são vidros, e eu me encontro aqui, entre esses dois vidros, em uma cena diária, que não necessita de mudança, mas se mudada gera mais mudanças. Encontro-me aqui, talvez em uma situação de escolha, talvez em uma situação de inclusão, escolher através de qual vidro olhar, tentar juntar as duas imagens que estão diante de mim.